“Nós carregamos muita gente nessa história. E me refiro às pessoas invisibilizadas que representamos aqui”. Com voz embargada, as palavras da docente Andrea Gallassi expressam a emoção dos agraciados com os prêmios anuais de direitos humanos da UnB, o Anísio Teixeira e o Mireya Suárez. Na quarta edição, a premiação ocorreu na última sexta-feira (12), no Auditório da Reitoria do campus Darcy Ribeiro.
O Prêmio Anísio Teixeira, dedicado a ações que contribuem para os objetivos da política de Direitos Humanos da instituição, reconhece iniciativas em três diferentes categorias. Já o Prêmio Mireya Suárez, valoriza práticas pedagógicas emancipatórias em Direitos Humanos com o objetivo de educar indivíduos na temática, e traz cinco categorias de distinção. Ambos contemplam iniciativas de ensino, pesquisa ou extensão universitária.
ANÍSIO TEIXEIRA – O projeto População em situação de rua em Brasília: avaliação da presença de transtornos mentais e demandas por saúde é um dos agraciados com o prêmio que leva o nome de Anísio Teixeira. A ação é vinculada ao Centro de Referência sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas (CRR), da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS), o campus de Ceilândia.
“Fizemos pesquisa com mais de mil pessoas em situação de rua, aplicamos questionários sobre saúde mental e transtornos por uso de substâncias, testamos HIV. Não tem como não se emocionar”, expressou a docente Andrea Gallassi, representante do projeto apoiado com fomento do National Institute on Health – maior financiador de pesquisas em saúde do mundo.
“Desde 2012, fazemos pesquisa com essa população em contextos vulneráveis. E trabalhamos no sentido de tentar entender e levantar suas necessidades em saúde. E não só como objeto de pesquisa, mas, de alguma forma, [com o propósito] de conseguirmos levar acesso à saúde. É um estudo de grande impacto, uma amostra representativa das pessoas em situação de rua em Brasília”, pontua Gallassi.
Confira abaixo as iniciativas reconhecidas com a distinção.
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PRÊMIO ANÍSIO TEIXEIRA - EDIÇÃO 2025 |
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Categoria: Igualdade, diversidade e não-discriminação |
| Categoria: Saúde, meio ambiente e bem-estar Iniciativa premiada: População em situação de rua em Brasília: avaliação da presença de transtornos mentais e demandas por saúde Representante: Andrea Donatti Gallassi |
| Categoria: Democracia e participação Iniciativa premiada: Projeto Formação Comunitária em Direitos Humanos Representante: Ayala Ferreira Dias |
MIREYA SUÁREZ – O projeto Ubuntu: Frente Negra na Ciência Política da UnB é um dos vencedores do Mireya Suárez. Fundado em 2018, Ubuntu é uma ação de extensão que reúne graduandos de diversos cursos da UnB interessados em refletir sobre as questões raciais pelo olhar da Ciência Política.
“A Ciência Política é uma área que por muitos anos afastou a questão racial de suas preocupações. Ao criar o projeto, o professor Carlos Machado buscou romper com esse abismo para com questões que não são tipicamente encaradas como fenômenos políticos”, conta Gustavo Mesquita, atual coordenador do projeto e docente do Instituto de Ciência Política (IPOL) da UnB.
O professor destaca que a “a Ciência Política está muito próxima de entendimentos e visões mais refinadas do funcionamento do Estado, da ordem política etc. Então, é muito interessante que os cientistas políticos da Universidade de Brasília possam ter um olhar especial para a questão da desigualdade racial”, já que o “ideal da igualdade e da dignidade da pessoa humana” deve nortear todas as ações do Instituto.
Confira abaixo todos as iniciativas reconhecidas com a distinção.
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PRÊMIO MIREYA SUÁREZ - EDIÇÃO 2025 |
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Categoria: Educação Básica |
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Categoria: Educação Superior |
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Categoria: Educação em contextos não escolares |
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Categoria: Educação para profissionais do sistema de justiça e/ou segurança |
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Categoria: Educação e Mídia |
PROTAGONISMO – Os prêmios anuais de Direitos Humanos Anísio Teixeira e de Educação em Direitos Humanos Mireya Suárez foram criados pela Câmara de Direitos Humanos, no âmbito da Política de Direitos Humanos da UnB. As iniciativas buscam reconhecer e valorizar programas, projetos ou ações de ensino, pesquisa e extensão em Direitos Humanos e/ou práticas pedagógicas de Direitos Humanos desenvolvidas sob coordenação de membros da comunidade da UnB em cooperação ou não com outras instituições.
Na cerimônia de premiação, a reitora Rozana Naves refletiu sobre o papel da universidade em pautar os direitos humanos como perspectiva central nas diversas questões sociais contemporâneas.
“Qual é o modelo de sociedade que pretendemos alcançar? Entendo ser muito apropriado seguirmos pautando os direitos humanos como linha orientadora do trabalho que desenvolvemos em todas as áreas do conhecimento. A exemplo da inteligência artificial, não podemos falar apenas em desenvolvimento tecnológico e suas aplicações, precisamos incluir a perspectiva ética, dos usos que se faz dessa inteligência, discutindo os rumos da humanidade.”
A secretária de Direitos Humanos da UnB, Cláudia Renault, celebrou cada iniciativa premiada como representante “do grande trabalho que desenvolvemos dentro desta Universidade”. “Celebramos hoje uma universidade que faz mais do que apenas passar conhecimento, mas vive e produz conhecimento”.
E completou: “os prêmios carregam o nome de duas pessoas de grande relevância para a UnB. Anísio Teixeira trouxe o ideal de uma universidade mais justa, e Mireya Suárez trouxe a justiça social e a dignidade humana, a partir de todos os seus estudos e exemplos”.
