A Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) celebraram, nesta quarta-feira (24), um Termo de Execução Descentralizada (TED) que viabiliza a oferta do curso de especialização Residência Agrária: Tecnificação da Agricultura Familiar Camponesa e Desenvolvimento Territorial Sustentável com Cooperação Brasil-China.
A iniciativa integra o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e fortalece a formação voltada à agricultura familiar, à educação do campo e ao desenvolvimento territorial sustentável. O evento ocorreu no Restaurante Universitário (RU).
O curso terá edital nacional para seleção de 30 beneficiários da reforma agrária. Com início das aulas previsto para agosto, a formação será desenvolvida em etapas presenciais, realizadas em diferentes regiões do país, e reunirá atividades voltadas à agroecologia, ao desenvolvimento territorial e à produção de conhecimentos conectados às demandas dos assentamentos e acampamentos. Os estudantes participarão de atividades em Brasília, São Paulo e outras localidades ainda em definição.
A coordenação também prevê uma etapa de formação vinculada à cooperação acadêmica com instituições chinesas. O Pronera oferecerá apoio financeiro para transporte, hospedagem e alimentação durante as atividades presenciais.
A reitora da UnB, Rozana Naves, destacou que a parceria amplia um conjunto de ações desenvolvidas pela Universidade em diálogo com organizações do campo e políticas públicas voltadas à segurança alimentar. "A interação entre a universidade, o governo e os movimentos sociais é fundamental para desenvolvermos o projeto de país em que acreditamos: uma sociedade mais justa e mais equitativa, em que os direitos fundamentais cheguem a todas as pessoas", disse.
Segundo a reitora, a especialização reforça o papel das universidades na construção coletiva do conhecimento. "Essa parceria fortalece o campo da formação e amplia o diálogo entre o conhecimento produzido na universidade e os saberes construídos pelos pequenos agricultores. A residência agrária é fundamental para efetivar essa troca de conhecimentos", complementou.
Rozana Naves também lembrou que a UnB aderiu, no início da atual gestão, à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e vem ampliando iniciativas relacionadas à segurança alimentar, agricultura familiar e cooperação internacional.
Ela citou ainda as discussões recentes promovidas pela Universidade sobre políticas de abastecimento alimentar e destacou o interesse da instituição em ampliar a participação da agricultura familiar no fornecimento de alimentos para os restaurantes universitários.
TERRITÓRIOS – O diretor de Desenvolvimento Sustentável do Incra, José Ubiratan Rezende de Santana, ressaltou que o curso fortalece uma trajetória construída pelo Pronera ao longo de mais de 25 anos, em articulação com diferentes atores. "Enfrentar os desafios da reforma agrária, da agricultura familiar, da comercialização e da geração de renda nos territórios não é algo que conseguimos fazer sozinhos. Precisamos promover essa relação entre universidade, Incra e movimentos sociais."
Para ele, um dos diferenciais da especialização é ampliar a participação dos próprios beneficiários da reforma agrária na produção do conhecimento. "O desafio é trazer nosso povo para dentro da universidade para que sejam também os pensadores da reforma agrária, os pesquisadores, os doutores e as doutoras que vão projetar o país que defendemos", afirmou.
Ubiratan destacou que a parceria reúne temas estratégicos para o desenvolvimento rural. "Estamos falando de bioinsumos, comercialização, inteligência artificial, mecanização e construção do conhecimento agroecológico na reforma agrária. Não é pouca coisa", elencou.
COOPERAÇÃO – Coordenadora do curso e docente do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (Mader) da Faculdade UnB Planaltina (FUP), Eliene Novaes Rocha explicou que a especialização integra as ações do Centro Internacional Brasil-China de Agricultura Familiar e articula ensino, pesquisa e cooperação acadêmica.
"A proposta da residência agrária une diferentes estratégias para pensar o desenvolvimento da agricultura familiar e dos territórios em diálogo com o povo da reforma agrária", explicou.
A parceria também integra uma estratégia mais ampla de cooperação entre a UnB e instituições brasileiras e chinesas para fortalecer pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias voltadas à agricultura familiar. Entre as frentes de atuação estão estudos sobre bioinsumos, mecanização agrícola e desenvolvimento territorial sustentável.
