A avaliação do atual contexto da universidade pública brasileira foi o assunto central da palestra Desafios da Educação Superior Pública: Indicadores e Perspectivas, proferida pelo secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC), Marcus Vinicius David, no dia 13 de outubro, no Anfiteatro 10 do campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. O evento ocorreu na esteira das celebrações do Dia do Professor e do Dia do Servidor Público, efemérides datadas em 15 e 28 de outubro, respectivamente.
Em cerca de duas horas, o gestor apresentou dados sobre investimentos, avanços estruturais e desafios no setor. Ao fim, dialogou com representantes da comunidade e visitou as obras do novo edifício da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV).
O conteúdo da palestra foi divido em três partes. Na primeira delas, o secretário apontou o cenário encontrado no início da corrente gestão do MEC. Sobre a situação à época, destacou que universidades e institutos federais vinham do pior orçamento discricionário da história, acumulavam seis anos sem reajustes salariais para docentes e técnicos e não contavam com reajustes de bolsas, como as de permanência e iniciação científica, há dez anos. Também relatou a paralisia de obras e a falta investimentos em infraestrutura.
Ainda no momento inicial, o líder da Sesu enumerou medidas adotadas a partir de 2023 para modificar o quadro. Entre elas, mencionou a retomada do diálogo com reitores, a majoração do orçamento de instituições e hospitais universitários em 45,1% em quatro anos, a concessão de reajustes salariais e o aumento no orçamento destinado a custeio e assistência estudantil.
“O orçamento de assistência estudantil de 2022 não chegava a R$ 1 bilhão e, agora em 2026, foi de R$ 1,5 bilhão”, disse Marcus Vinicius, que está no cargo desde o ano passado e é ex-reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ele destacou ainda o reforço nos quadros profissionais das instituições com mais de 22,5 mil vagas criadas entre códigos de vagas, cargos e funções.
A parte seguinte da apresentação tratou da expansão e reorganização das universidades. Em relação à infraestrutura, o secretário apontou o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como marco histórico. Segundo os números compartilhados, o investimento total do programa em universidades e hospitais universitários chega a R$ 5,9 bilhões. Esse e outros aportes foram aplicados em obras como as que viabilizaram a criação de cinco universidades federais e 18 campi.
Marcus Vinicius apontou ainda a criação de 630 cursos e os avanços em regulamentações, como a da Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), estabelecida por lei em 2024, e o investimento quase triplicado em bolsas para permanência de estudantes indígenas e quilombolas. O Programa Universidades Transformadoras, lançado em 2025, foi mencionado como mecanismo para inovação, inclusão e adequação estratégica das instituições às demandas da sociedade.
“Em termos de desenvolvimento econômico, nós precisamos criar condições para uma nova industrialização brasileira. E a área social continua sendo o desafio para termos um modelo de sociedade civilizada, superando desigualdades e com capacidade de incluir todos os segmentos”, disse o secretário, ao tratar dos eixos elencados como estratégicos para as universidades e o país.
O fim da explanação trazia o título Olhar para o futuro. Marcus Vinicius falou sobre a necessidade de integração de dados na educação superior e do desenvolvimento de infraestruturas digitais. Para essas e outras questões, defendeu o Acelera NIT Brasil, iniciativa destinada ao fortalecimento dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) nas universidades federais. Ele defendeu ainda “um projeto de nação soberana”, alicerçado em governança com diálogo, institucionalidade como políticas de Estado e projetos de nação que considerem o papel das universidades federais.
>> Confira os dados na íntegra da apresentação do secretário da Sesu
DIÁLOGO E VISITA A OBRA – Gestores, professores e técnicos fizeram duas rodadas de perguntas no encerramento da palestra. A implantação de sistemas com bancos de dados nacionais, a demanda por concursos para docentes e técnicos, a melhoria na formação nos níveis básicos de educação e os possíveis impactos políticos nas universidades estiveram entre os assuntos abordados.
No diálogo e na apresentação, a UnB foi elogiada e apontada como referência no país. A volta da adoção do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para o ingresso foi anunciado como ação que reverberou em outras instituições. E um mapa de maturidade dos NITs apontou a federal de Brasília entre o seleto grupo de classificadas como consolidadas.
A Universidade ainda recebeu menção direta sobre o aporte de R$ 58,9 milhões do Novo PAC. Os recursos são direcionadas à futura construção de auditório no campus Darcy Ribeiro e às novas estruturas acadêmicas da FAV, em execução no mesmo campus. Após a palestra, o secretário da Sesu, a reitora Rozana Naves e o vice-reitor Márcio Muniz, acompanhados de lideranças das duas instituições, visitaram as obras localizadas na extremidade norte do campus.
“O Ministério da Educação tem sido um grande parceiro da UnB, das [demais] universidades e dos institutos federais na ampliação, modernização e consolidação da educação superior pública brasileira”, disse a reitora, em fala que antecedeu a apresentação da Sesu. “Com destaque, vale dizer, para as políticas inclusivas de ingresso e permanência dos estudantes e para o suporte do desenvolvimento da infraestrutura de ensino, pesquisa e ações de extensão.”
Rozana Naves também enfatizou o protagonismo da UnB em debates nacionais ao mencionar os dez temas tratados no Seminário Espírito do Tempo. Em segunda participação, ao fim do encontro, disse que a Universidade segue à disposição para contribuir com a produção de políticas públicas, entre elas as que dizem respeito a inteligências artificiais e a formações de professores.
