FUP 20 ANOS

Pesquisas interdisciplinares são características da produção científica do primeiro campus da Universidade fora do Plano Piloto

Parcerias externas em estudos a partir de demandas sociais e ambientais caracterizam trabalhos no campus, intimamente conectado ao Cerrado. Foto: FUP/Divulgação

 

A pluralidade de pesquisadores se reflete na diversidade dos resultados. A Faculdade UnB Planaltina (FUP) completa 20 anos com feitos expressivos e projetos em curso que perpassam todas as grandes áreas de conhecimento. Da produção de aplicativo para restaurar o Cerrado a análises de fósseis de dinossauros, praticamente tudo o que diz repeito à conservação da vida é alvo de interesse no campus. A busca pela gestão eficiente de recursos naturais e as demandas sociais do campo seguem como prioridade e são compromisso histórico da unidade, que faz aniversário neste sábado (16).

 

O professor e assessor de pesquisa na gestão da FUP, Rodrigo Santucci, explica que a ciência produzida no campus de Planaltina está centrada em três eixos principais: ciências sociais e psicologia; física, química e ciência dos materiais; e biologia, ciências da Terra e ciências agrárias. Ele também menciona o constante diálogo interdisciplinar em áreas como ciência da computação, economia, farmacologia, energia e veterinária. “Essa diversidade reflete a própria origem e estrutura acadêmica da FUP, concebida com perfil interdisciplinar e vinculada a demandas sociais, ambientais e territoriais do Distrito Federal e do Entorno”, diz.

 

Santucci informa que estudos da FUP apresentam crescente presença nos periódicos mais respeitados do mundo e que há artigos recentes no seleto grupo do 1% com mais citações globalmente. “Outro aspecto importante é o caráter colaborativo da pesquisa desenvolvida na FUP. Aproximadamente 23% das publicações possuem colaboração internacional, 51% colaboração nacional e cerca de 2% correspondem a trabalhos individuais. Isso demonstra uma inserção significativa em redes nacionais e internacionais, algo especialmente relevante para um campus relativamente jovem”, avalia.

Fósseis como os de titanossauro são pesquisados há mais de dez anos na FUP. Foto: Rodrigo Santucci/Arquivo pessoal 

 

Grupos de pesquisa liderados por professores da FUP e registrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) têm entre seus objetos de estudo a inovação da agricultura familiar, as ecopolíticas emancipatórias, a poluição atmosférica, a nanociência ambiental e as transformações agrárias. A participação nas equipes e as demais oportunidades de produção acadêmica se dão na iniciação científica oportunizada nos quatro cursos de graduação, nos sete programas de pós-graduação e na marcante relação com a extensão universitária.

 

A diretora do campus, Cynthia Bisinoto, exalta o ambiente plural e comenta os impactos sociais da ciência produzida na FUP. “É uma unidade acadêmica eminentemente interdisciplinar, que trabalha muito nas fronteiras do conhecimento, colocando em diálogo e articulação saberes populares e conhecimento científico. Essas produções estão muito voltadas para a contribuição para as políticas públicas”, afirma.

 

A gestora analisa que os desafios para ampliar o desenvolvimento de pesquisas passam pela necessidade de mais investimentos em infraestrutura, aportes financeiros para atividades de campo e recursos humanos. A despeito das limitações, ela aponta a capacidade do campus de atrair e captar apoios externos e de produzir ciência de qualidade. Bisinoto se diz orgulhosa do envolvimento da comunidade e dos estudos realizados “com muito compromisso, ética e responsabilidade social”.

 

DESCOBERTAS E PROJETOS DE IMPACTO – A capacitação de agentes em pesquisa sobre o combate à pobreza no semiárido nordestino, o prêmio nacional por trabalho sobre extrativismo sustentável de frutos do Cerrado e os destaques internacionais em estudos como o que apresenta a influência de campesinas no aprimoramento de políticas agroecológicas estão no rol dos feitos da ciência produzida na FUP.

Fortalecimento e inovação na agricultura familiar e extrativismo sustentável têm destaque nas publicações do campus. Foto: Cegafi/Divulgação

  

É também de pesquisadores do campus a identificação inédita de espécie fossilizada de crocodilo, a redefinição do conceito de ninho a partir da observação do comportamento de peixes, o levantamento sobre aves no Plano Piloto e a observação do desmonte de políticas destinadas à agricultura familiar. Esses e outros destaques têm sido reportados ao longo de duas décadas pelos canais de comunicação da Universidade e por veículos de alcance nacional.

 

As numerosas incursões de campo promovidas na FUP incluem áreas como bacia do Araguaia, a Estação Ecológica de Águas Emendadas, o território quilombola Kalunga e a Chapada dos Veadeiros. A presença natural também faz parte do cotidiano das instalações urbanas do campus, que tem a maior parte de seus 300 mil m² coberta por vegetação nativa do Cerrado.

 

COMUNIDADE ATIVA E ORGULHOSA – A coleção de feitos tem a participação direta de todos os segmentos da faculdade. A agrônoma Renata Ribeiro faz parte do corpo técnico da FUP há 16 anos, onde colabora com as produções do Laboratório de Ensino em Biologia. “O laboratório dispõe de técnicos com doutorado, com pesquisas desenvolvidas nas áreas de toxicologia ambiental, ecologia de comunidades em grandes barragens e arborização urbana para fins ecológicos”, diz ela, que destaca a integração no campus entre ciências ambientais e sociais e entre os ambientes naturais e urbanos.

Egressa Antonia Arrais demonstra orgulho pela unidade que tem proporcionado mudanças nas realidades sociais da comunidade. Foto: Arquivo pessoal 

 

Egressa da licenciatura em Ciências Naturais e mestra e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências (PPGEduC), Antonia Arrais vê com satisfação os feitos de sua “segunda casa” e exalta suas conquistas na passagem pelo campus. “A FUP representa a melhor oportunidade acadêmica que tive na vida. Sem a instituição, não teria conseguido sequer realizar a graduação, quem dirá um doutorado, uma vez que a minha realidade social não permitia. Fazer parte desses 20 anos representa alegria, superação e transformação.”

 

Quem também vivenciou experiência transformadora foi a hoje professora do campus, na área de recursos hídricos, Andréia de Almeida. A docente demonstra gratidão pelo acolhimento recebido e pelas oportunidades que teve em ações de extensão, de iniciação científica e para consolidação de sua trajetória profissional. “Tenho um profundo carinho pela FUP. Ela é parte da minha história. Possibilitou estabelecer relações pessoais e profissionais que marcaram a minha vida. Forneceu a base para o desenvolvimento de uma carreira considerada inacessível para a minha realidade de origem social”, afirma ela, que ingressou como aluna, em 2010, no bacharelado em Gestão Ambiental.

 

A importância da universidade pública, os resultados e a relação entre academia e mercado de trabalho estão entre os pontos de avaliação indicados pela docente para que o campus siga vigoroso a serviço da sociedade.

 

Entrevista da diretora da FUP à UnBTV

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