OPINIÃO

João Paulo Peixoto é professor visitante do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. É associado da internacional da Villa Associate at Victoria University of Wellington e foi pesquisador visitante nas universidades de Columbia e Georgetown nos EUA.
Seu livro mais recente como é Presidencialismo no Brasil: história, organização e funcionamento (Edições Técnicas do Senado Federal, 2016).

João Paulo Peixoto

 

Dois ex-governadores e um ex-vice recentemente presos na Polícia Federal. Um senador cassado em pleno exercício do mandato, mais dois senadores que renunciaram para não serem cassados. Um governador preso em exercício deixou o Buriti diretamente para a Superintendência da Polícia Federal. Até mesmo um governador interino denunciado quando em exercício da governadoria por meros oito meses. Vários deputados distritais, inclusive a presidente da Câmara Legislativa, afastados do exercício do mandato pela Justiça. Este é um balanço lúgubre da atividade política em 31 anos de autonomia política de Brasília. 

O que deu errado? Ou melhor o que está dando errado?

 

Mais ainda, por que a cidade que congrega a elite burocrática do País não consegue implantar uma política igualmente de elite?

 

Seria a atividade político partidária contrária à gênese da capital artificialmente transplantada para o Planalto Central? Uma vez tal atividade ter sido extinta junto com a antiga Câmara de Vereadores que funcionava no Rio de Janeiro enquanto capital federal.

 

Seria ainda resultante da adoção de um modelo político inadequado, uma vez copiado dos modelos estaduais, como se o Distrito Federal não fosse uma unidade política única, diferenciada, portanto, dos demais estados federados.

 

Muitas são as perguntas sem respostas convincentes. Enquanto elas não veem, resta-nos conviver com a trágica realidade política que nos foi imposta.

 

Em face da discussão no Congresso de uma reforma política, oportuno seria incluir o tema referente ao modelo político do DF nesse debate. Poderia vir a ser a luz no fim do túnel.

 

Do jeito que está é que parece não poder continuar. Quando não é a corrupção é a quase inércia a nos governar.

 

É muito pouco para uma cidade que nasceu sob os signos do modernismo, do pioneirismo, da inovação, da vibração cívica, da esperança e tantos outros emuladores positivos.

 

Tudo isto parece estar sendo embaçado pela má política. Pela ineficiência governamental - e não é de agora - que o diga nossas calçadas, nosso asfalto esburacado, para citar o mínimo. Pelos privilégios de uma elite governamental que resiste, parcialmente, a abrir mão de um passado que não cabe mais no Brasil.

 

Não dá mais, basta, chega.

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Publicado originalmente no Diário do Poder em 26/05/2017

 


 

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