OPINIÃO

Maria Emilia Walter é Decana de Pesquisa e Inovação e professora do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Brasília.

Maria Emilia Walter¹

 

Gostaria inicialmente de cumprimentar o prof. Enrique Huelva, vice-reitor da UnB, e em nome dele meus colegas que estão na mesa. Cumprimento ainda os diretores e diretoras, e em nome deles meus colegas, docentes e técnicos, assim como todos os demais presentes a esta cerimônia. É muito importante estar aqui, neste momento, falando, em nome dos Decanatos de Pesquisa e Inovação e de Pós-Graduação, no evento de lançamento das páginas institucionais da UnB em inglês.

 

Inicio estas breves palavras dizendo que informações de bancos de dados internacionais, e métricas que vêm sendo utilizadas para avaliar a produção científica mostram que a brasileira é bastante relevante, estando hoje entre os 15 maiores publicadores de produtos científicos (artigos, capítulos de livros, livros, ...) do mundo, em números. Se considerarmos os países do hemisfério norte, notadamente os europeus, e países de língua inglesa, como os Estados Unidos e o Canadá, assim como os países asiáticos, como China, Japão e Coréia do Sul, podemos perceber como essa informação é importante.

 

Considerando o impacto, essas mesmas bases mostram que o Brasil vem melhorando, um tanto mais lentamente, mas vimos aprimorando nossas pesquisas. Essa tendência é muito clara, e espero que nossos governantes compreendam a importância de continuar apoiando as Universidades públicas, que respondem por quase a totalidade da produção científica brasileira.

 

Em algumas áreas, somos referência internacional, não só na produção de artigos científicos de excelente qualidade, mas em áreas importantes economicamente, como o agronegócio (que vem sendo repensado sob o ponto de vista de impacto ambiental e conservação do meio-ambiente), a produção de vacinas e a indústria aeronáutica. Claro, com o apoio fundamental das universidades, notadamente as públicas.

 

Neste contexto, a produção científica da UnB segue a tendência brasileira. É bastante relevante, e tem excelência nas três grandes áreas – Exatas e Tecnologia, Vida e Saúde e Humanas e Sociais.

 

Portanto, a importância deste momento se traduz no esforço da Universidade em dar visibilidade à sua produção científica. Num mundo onde importantes decisões têm sido tomadas utilizando informações das diferentes mídias sociais, é fundamental que nossos pesquisadores, nossa infraestrutura de pesquisa, assim como nossos produtos científicos e de inovação, sejam mostrados amplamente. Iniciamos essa ação com as páginas web.

 

É importante também que, dentro da UnB, tenhamos um movimento de colaboração mais forte, entre as diferentes áreas, de modo que grandes desafios do nosso país, especialmente da nossa região, sejam solucionados através dos olhares de diferentes áreas científicas. Por “olhares”, quero dizer, métodos, problemas e formas de atuação das diferentes áreas do conhecimento.

 

Quando trabalhamos no projeto Capes PrInt, a parte da Pós-Graduação dentro do plano de internacionalização da UnB, pudemos identificar nossas áreas de excelência, por meio tanto de produção científica publicada em veículos internacionais de ótimo nível quanto de projetos com equipes internacionais, que se fortalecem em quase cem programas de pós-graduação, nas três grandes áreas científicas.

 

Seguem alguns números:

 

 - Nos últimos 5 anos, foram desenvolvidos mais de 3.500 projetos de pesquisa, muitos em cooperação internacional. A Universidade tem cerca de 20% de seus docentes como bolsistas de produtividade/CNPq. A produção científica no último quadriênio (2013 – 2016) e incluindo 2017, teve mais de 15.500 publicações em periódicos qualificados, mais da metade internacionais (54%) e quase um terço (28%) nos estratos superiores do Qualis/CAPES (A1 e A2), considerando as bases Scopus, Web of Science e Scielo. Dados da ferramenta SciVal (base Scopus), desse mesmo período de 2013 a 2016, indicam uma produção científica crescente, com um aumento de quase 20% no período, totalizando mais 7.100 itens. O impacto normalizado por citação também apresentou incremento de quase 100%, passando de 0,75 em 2013 para 1,45 em 2016 (acima da média mundial).

 

- Em colaborações externas na pesquisa, no mesmo período (2013-2016), a UnB passou de 26% de colaborações para mais de 30% sobre o total de pesquisas, sendo que as colaborações internacionais totalizam quase 29%. A UnB possui mais de 500 grupos de pesquisa registrados no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, parte dos quais com participação de pesquisadores internacionais. Cerca de 60% dos docentes da Universidade integram projetos de pesquisa vinculados a esses grupos.

 

Mas, infelizmente, esses números não são conhecidos em âmbito mundial. É claro que ainda temos um número grande de projetos de extensão e inovação que, em grande parte, também não são amplamente conhecidos. Temos, na nossa Universidade, uma pujança científica e acadêmica que precisa ser mostrada em nível internacional.

 

Não posso deixar de mencionar um aspecto importante relativo à mensuração da produção científica internacional, que é o fato de essas bases de dados contemplarem basicamente Ciências Exatas e da Vida. Embora elas contemplem milhares de periódicos internacionais, não são tão eficientes para as Humanas e Sociais, áreas científicas essenciais para o aprofundamento do conhecimento em todas as suas dimensões, que nos propiciam oportunidades de aprender sobre nossa história e nossa sociedade, de expandir nosso espírito por meio das artes, de debater nosso cotidiano, de projetar nosso futuro. Existem hoje novos mecanismos de mensuração para essas últimas, em nível internacional, que precisamos estudar e internalizar no Brasil, de modo a contemplar de forma mais justa a produção das Ciências Humanas e Sociais. Essa discussão é relevante, pois a UnB, desde sua criação, tem uma forte tradição de pesquisa nessas áreas. Assim, temos a intenção de criar espaços de reflexão, para contribuir para essa importante discussão, no país.

 

De toda forma, o foco desse lançamento é a valorização da informação científica, por meio da visibilidade internacional. É interessante observar que o trabalho de elaboração do plano de internacionalização e do projeto Capes PrInt, incluindo o projeto de criação das nossas páginas – em inglês, neste momento – nos permitiram perceber que informações relevantes da pesquisa e desenvolvimento (por exemplo, projetos, processos de produção científica e infraestrutura de laboratórios) não vinham sendo mostrados. Esse vem sendo o esforço de reestruturação das páginas dos Decanatos.

 

Nos nossos dois decanatos – de Pesquisa e Inovação e de Pós-Graduação – vimos fazendo um grande esforço de coletar elementos de C&T, como praticado no Brasil (como grupos de pesquisa, núcleos, laboratórios, PPGs, áreas e linhas), de modo que nossas informações científicas sejam mostradas de forma mais clara, em âmbito internacional, inicialmente por meio das páginas web. A intenção foi de prover informações da pós-graduação, pesquisa e inovação, para outras instituições no mundo, de forma mais clara. O objetivo foi de fortalecer parcerias já existentes, mas também ajudar a criar novas colaborações, atrair estudantes e docentes de outros países, para estudar e pesquisar na UnB. Apesar de todas as conhecidas dificuldades pelas quais nossas Universidades públicas têm passado em anos recentes, temos muito a oferecer, em todas as áreas do conhecimento!

 

Por fim, neste momento do país, em que o papel e a relevância das nossas instituições têm sido contestados por parte da nossa sociedade, esperamos que as informações que serão divulgadas nas nossas páginas em línguas internacionais ajudem a fortalecer o relevante papel da Universidade de Brasília, e também das nossas universidades públicas, fundamentais para o desenvolvimento do Brasil.

 

*Comunicação feita no lançamento das páginas institucionais da UnB em inglês, no dia 30 de abril de 2019.

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¹ Decana de Pesquisa e Inovação e professora do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Brasília.

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