A Universidade de Brasília marcou presença ativa na 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), entre 12 e 17 de novembro, em Belém (PA). Por meio do projeto de extensão Mobilização FUP COP30, a Faculdade UnB Planaltina (FUP) integrou debates, atividades formativas e ações de mobilização social, levando à conferência as chamadas “Vozes do Cerrado” e reafirmando o compromisso institucional da UnB com a justiça socioambiental, a sustentabilidade e a defesa dos biomas brasileiros.
A delegação da FUP foi composta por 18 participantes, entre professores, estudantes e técnicos, que atuaram de forma intensa, sobretudo nas atividades da Cúpula dos Povos na COP30, espaço dedicado à participação da sociedade civil, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais. A Universidade Federal do Pará (UFPA) acolheu parte das atividades, proporcionando à delegação da UnB uma imersão direta no contexto amazônico.
“O clima era de luta. Estar na COP30 foi vivenciar, na prática, como as mudanças climáticas atravessam a vida das pessoas e mobilizam diferentes sujeitos sociais”, relata o professor Mikhael Ael (FUP), um dos coordenadores do projeto. Segundo ele, a participação da Universidade foi resultado de um processo formativo contínuo, iniciado ainda em 2024.
As ações do Mobilização FUP COP30 começaram durante a Semana Universitária de 2024 e se intensificaram ao longo de 2025, com uma série de atividades acadêmicas, culturais e de mobilização social. Entre elas, debates sobre mudanças climáticas, justiça socioambiental e defesa do Cerrado como bioma estratégico para a manutenção da vida no planeta; encontros sobre consciência ambiental e ativismo climático; diálogos sobre direitos humanos e conflitos no campo; além de trilhas ecológicas, atividades culturais e articulações com comunidades quilombolas do Povo Kalunga, em Cavalcante (GO), para estimular a participação desses grupos no debate climático global.
“A mobilização foi crescendo e se consolidando como uma construção pedagógica. Aprendemos que a Universidade é um espaço central para formar sujeitos críticos e comprometidos com a defesa da vida”, afirma Mikhael Ael.
Durante a COP30, o coletivo participou de atividades na Green Zone, Agri Zone, Free Zone e no Espaço Chico Mendes, além de promover e integrar debates sobre agroecologia como ciência, movimento e prática essencial para o enfrentamento das mudanças climáticas. O grupo também conduziu uma atividade durante o lançamento da edição especial da Revista Brasileira de Agroecologia, dedicada à COP30.
Outra iniciativa que chamou a atenção do público foi a realização de uma atividade de observação astronômica, com telescópio do projeto Escola nas Estrelas, da FUP. A proposta buscou sensibilizar os participantes para a raridade da Terra no universo e a urgência de sua preservação.
A delegação da UnB Planaltina também esteve presente em momentos simbólicos da conferência, como o Porongaço, caminhada que levou às ruas de Belém elementos da cultura extrativista amazônica, e a Marcha Mundial pelo Clima, que reuniu milhares de pessoas em defesa de ações imediatas contra a crise climática. “Levamos o Cerrado como o coração do Brasil, denunciando que ‘desmatar mata’ e destrói vidas”, destaca o professor.
A participação da FUP na COP30 contou com o apoio da reitoria da Universidade de Brasília, além de decanatos, programas de pós-graduação, projetos institucionais e parceiros externos. Para Mikhael Ael, a experiência deixa um legado duradouro para a Universidade. “O ativismo climático passa a ser uma tarefa emergencial no contexto formativo da UnB. Essa vivência fortalece nosso compromisso com a formação cidadã, a ciência engajada e a transformação social”, afirma.
Entre os próximos passos do projeto estão a produção e divulgação de materiais audiovisuais e escritos sobre a experiência na COP30, a formação de jovens ativistas climáticos e a preparação para a COP31, com o fortalecimento de coletivos comprometidos com a proteção do Cerrado e de outros biomas brasileiros.
