Coordenadoras, estudantes e participantes dos 23 projetos contemplados pelo programa Mulheres e Meninas na Ciência: Conhecimento em movimento, sociedade em transformação se reuniram para apresentar os resultados das ações desenvolvidas entre 2025 e 2026. O encontro ocorreu no auditório da Faculdade de Ciências da Saúde (FS), na quinta-feira (19).
A reitora Rozana Naves ressaltou que o programa da UnB ultrapassa a discussão sobre a presença feminina na ciência e fortalece a relação entre a Universidade e a sociedade. “Quando a gente fala mulheres e meninas na ciência, a gente está falando evidentemente do desenvolvimento científico, tecnológico e social em diversas áreas do conhecimento, e a gente está falando também dessa interface importante entre a Universidade e as escolas de educação básica”, disse.
O encontro destacou experiências que aproximaram meninas da rede pública do ambiente universitário, ampliaram o acesso ao conhecimento científico, contribuíram para expandir oportunidades educacionais e profissionais e incentivaram a participação feminina em diferentes áreas da ciência, promovendo uma ciência mais diversa e representativa da sociedade brasileira. O programa contou com investimento de R$ 96 mil e foi desenvolvido em parceria entre o Decanato de Extensão (DEX), o Decanato de Pesquisa e Inovação (DPI) e a Secretaria de Direitos Humanos (SDH).
As iniciativas contemplaram diferentes áreas do conhecimento e públicos. Entre os projetos apoiados estão os voltados à educação menstrual, ao autocuidado feminino, à arquitetura e urbanismo, à engenharia, à matemática, à computação, à robótica, à programação, à fisiologia vegetal, à fotografia, à sustentabilidade e à educação ambiental. Também foram desenvolvidas atividades de alfabetização científica e tecnológica, educação sexual, inovação social e incentivo à participação feminina em áreas historicamente marcadas pela baixa presença de mulheres.
Ao longo do ciclo, os projetos promoveram oficinas, cursos, mentorias, atividades em laboratórios, feiras científicas, palestras, rodas de conversa, visitas técnicas e experiências de iniciação científica. As ações alcançaram escolas de diferentes regiões administrativas do Distrito Federal.
CIÊNCIA MAIS PRÓXIMA – Coordenadora do programa Mulheres e Meninas na Ciência, a professora Izabel Cristina Rodrigues da Silva destacou que os resultados apresentados refletem o alcance das ações desenvolvidas pelos 23 projetos apoiados pela iniciativa. “Hoje, não estamos apenas encerrando um ciclo de atividades. Estamos apresentando evidências concretas de que investir em meninas e mulheres na ciência transforma vidas, fortalece comunidades e amplia o papel social da universidade pública”, afirmou a docente, ligada à Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS), no campus Ceilândia.
Ao avaliar os resultados alcançados, Izabel salientou que as ações permitiram aproximar estudantes da educação básica do ambiente universitário. “Vimos meninas programando computadores, desenvolvendo soluções tecnológicas, realizando experimentos científicos, participando de oficinas, conhecendo laboratórios universitários e, principalmente, descobrindo que a ciência também pertence a elas”, disse.
PROTAGONISMO FEMININO – As apresentações mostraram que o incentivo à participação feminina na ciência também passa pelo enfrentamento das desigualdades presentes em diferentes áreas profissionais.
Coordenadora do projeto ArqLinas: mulheres e meninas na arquitetura e no urbanismo, a professora Erica Kuniochi relatou experiências que aproximaram estudantes do mercado de trabalho por meio de visitas técnicas a escritórios, empresas, obras e órgãos públicos. Segundo a docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), conhecer essas experiências permite que as discentes compreendam os desafios que poderão enfrentar ao longo da carreira e fortaleçam sua atuação profissional.
Durante os encontros, as participantes conheceram trajetórias de arquitetas, engenheiras e gestoras que atuam em espaços tradicionalmente ocupados por homens. “A gente vê mulheres se posicionando, tomando o seu lugar no mercado de trabalho como tem que ser, mas ainda passando por questionamentos”, observou Erica Kuniochi.
Na área de tecnologia educacional, a professora Michelle Machado de Oliveira, do Instituto de Letras (IL), apresentou os resultados do projeto Como ensinar terminologia com tecnologia para crianças de escolas públicas. “A gente vai até as escolas e leva a possibilidade de as estudantes entenderem que elas podem ter uma carreira acadêmica”, explicou a docente.
A iniciativa envolveu estudantes de graduação, mestrado e doutorado na produção de materiais digitais interativos desenvolvidos em parceria com escolas públicas. O projeto passou por oito escolas desde o início das atividades e utiliza recursos digitais, inteligência artificial e produção colaborativa para aproximar crianças e adolescentes da pesquisa científica.
EXTENSÃO QUE TRANSFORMA – Entre os projetos apresentados também esteve o MEInstruAção: letramento crítico em educação menstrual decolonial, justiça socioambiental e ciência, coordenado pela professora do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (Ceam) Maria Carmen Aires Gomes.
Desenvolvido desde 2023, o projeto atua em escolas públicas e promove debates sobre dignidade menstrual, saúde, direitos e cidadania. As ações incluem oficinas, materiais educativos, jogos pedagógicos e atividades de divulgação científica.
A estudante de Enfermagem Maisa Felix, integrante da iniciativa, destacou o impacto da experiência em sua formação acadêmica e pessoal. “A gente vê a menstruação para além do biológico. É uma questão que afeta diretamente a saúde mental das pessoas, afeta o cotidiano, a permanência estudantil e o trabalho”, afirmou.
Para ela, o contato com diferentes comunidades amplia a compreensão sobre os desafios enfrentados por mulheres e meninas em diferentes contextos. “Cada ação é muito única. Eu consigo aprender muito com as pessoas, com vivências diferentes, saberes diferentes e realidades diferentes”, relatou.
Episódio do podcast HMM, do INCT Caleidoscópio, liderado pela UnB, apresenta o projeto MEInstruAção. Confira:
