A Universidade de Brasília (UnB) reuniu docentes, estudantes, gestores acadêmicos e profissionais da educação básica na Jornada Pedagógica das Licenciaturas. Realizado nesta quinta-feira (2), no Instituto de Química (IQ), o encontro promoveu debates sobre a formação de professores, o fortalecimento das licenciaturas e os desafios contemporâneos da educação. A programação incluiu apresentação de projetos, palestra da professora Kátia Curado, rodas de conversa e momentos de troca de experiências entre os participantes.
A reitora Rozana Naves destacou que a Jornada se consolida como um espaço permanente de reflexão sobre os cursos de licenciatura e sobre os currículos da Universidade. Para ela, debater a formação de professores significa repensar a própria educação superior. "Partindo das licenciaturas, temos a oportunidade de discutir o currículo universitário de forma integrada e pensar os projetos formativos da Universidade de forma crítica e orgânica, retomando o projeto original da Universidade de Brasília, que articulava uma sólida formação técnica a uma formação humanística", disse.
A reitora avaliou que esse debate ganha novos contornos diante das mudanças sociais e das transformações na forma como os jovens se relacionam com o conhecimento. "Precisamos recuperar essa concepção, aliando a formação técnica à formação humanística e também a uma formação política, no sentido de pensar a universidade, o papel da educação – e, no nosso caso, da educação superior – na formação de professores para a educação básica. Ao mesmo tempo, precisamos compreender como a própria educação básica nos oferece elementos para repensar o nosso fazer pedagógico, em um momento em que a sociedade muda com muita velocidade", defendeu.
DIÁLOGO – O diretor de Planejamento e Acompanhamento Pedagógico das Licenciaturas (Dapli), do Decanato de Ensino de Graduação (DEG), Paulo Roberto Lima Júnior, ressaltou que a Jornada foi concebida como espaço de encontro entre os diferentes segmentos envolvidos com a formação de professores. Ele contou que a proposta busca fortalecer o diálogo entre docentes, estudantes e gestores.
"A nossa expectativa é que tenhamos um tempo de qualidade. Vivemos uma época em que estamos cada vez mais conectados, mas nem sempre próximos das pessoas. A Jornada é uma oportunidade para nos encontrarmos, conversarmos e compartilharmos o trabalho que realizamos", explicou Paulo Roberto. Ele acrescentou que a programação combinou momentos de debate, apresentação de experiências e convivência entre os participantes.
Representando o decano de Ensino de Graduação, a diretora de Desenvolvimento do Ensino de Graduação (DTG), Valdenízia Bento Peixoto, lembrou que a formação de professores envolve diferentes etapas acompanhadas pelas diretorias do DEG, desde o ingresso dos estudantes até a avaliação da qualidade dos cursos.
Segundo a diretora, fortalecer as licenciaturas depende da articulação entre permanência estudantil, estágios supervisionados, projetos pedagógicos e acompanhamento da formação docente. "Formar docentes exige um percurso articulado, que acompanha o estudante desde o ingresso na licenciatura até sua inserção profissional", afirmou Valdenízia.
FORMAÇÃO HUMANA – A programação contou com a palestra da professora da Faculdade de Educação (FE) Kátia Curado, que discutiu o papel social da docência e os desafios da formação de professores no cenário educacional contemporâneo. Logo no início da sua fala, ela apresentou um trecho do livro Para não desistir da docência, organizado por pesquisadores da área da educação, para refletir sobre o papel social da escola e do professor.
Ao comentar o texto do educador José Carlos Libâneo, a professora ressaltou que a atuação docente vai além da transmissão de conteúdo. "O Libâneo está dizendo que a nossa profissão é o lugar de assegurar não apenas a aprendizagem de determinados conteúdos, mas o acesso à ciência, à arte, à filosofia, à tecnologia, à ética e à formação humana", comentou.
Kátia Curado pontuou que a escola representa um espaço de ampliação das experiências e de acesso à cultura para crianças e jovens de diferentes realidades. "É esse espaço de diálogo, de encontro e de formação do ser humano. Muitas vezes, é na escola que crianças e jovens têm a oportunidade de acessar experiências que não encontram em outros lugares."
A docente também defendeu que a formação docente precisa fortalecer a compreensão do papel social da educação. "Estamos tratando da humanização. A escola é um espaço de formação humana e precisamos discutir isso continuamente nas licenciaturas", reforçou.
Além da conferência, a programação incluiu apresentações de projetos desenvolvidos pelas licenciaturas da UnB, rodas de conversa e debates sobre o aprimoramento das políticas institucionais voltadas à formação docente. O encontro também apresentou experiências apoiadas pelo edital Licenciaturas em Movimento e abriu espaço para a construção de propostas relacionadas ao fortalecimento das licenciaturas e da articulação entre a Universidade e a educação básica.
