EXTENSÃO

Iniciativas desenvolvidas em diálogo com a comunidade contribuíram para que estudantes do Paranoá conquistassem vagas na Universidade


Reportagem da TV Universitária mostra exemplo prático de como a extensão faz a diferença em comunidades da periferia. Clique no player para assistir.

 

Projetos de extensão desenvolvidos pela Universidade de Brasília têm contribuído para ampliar o acesso ao ensino superior e fortalecer o vínculo entre a universidade pública e a educação básica. Contada em reportagem da UnBTV, a experiência de estudantes do Centro Educacional 2 do Paranoá, o CED 2, ilustra como essas ações podem impactar trajetórias acadêmicas e pessoais, resultando no ingresso de novos estudantes na UnB.

 

Criada há quatro anos, a escola atende cerca de mil estudantes do ensino médio e formou, em 2024, suas primeiras turmas de terceiro ano. O resultado veio acompanhado de aproximadamente 30 aprovações em universidades e faculdades, incluindo a Universidade de Brasília. Parte desse desempenho está relacionado à participação dos alunos em projetos de extensão realizados pela UnB na escola.

 

Para Maria Luísa Rodrigues, hoje estudante de Terapia Ocupacional na Universidade de Brasília, a conquista representa a realização de um sonho antigo. “Entrar na UnB foi muito importante, porque eu sempre quis estudar aqui”, afirma. Ela destaca que o contato com os projetos e o incentivo recebido fizeram a diferença no processo de preparação. “Ajudou bastante, principalmente no estímulo para fazer o PAS e o vestibular”, completa.

 

PORTA DE ENTRADA – Segundo o professor Lucas Moreira (EST), coordenador do polo de extensão da UnB no Itapoã, Paranoá e São Sebastião, as ações buscam desmistificar o acesso à Universidade. “Os projetos apresentam aos alunos que a realidade da universidade é possível para estudantes da educação básica. Muitos não se veem nesse espaço e acabam se afastando da ideia de cursar o ensino superior”, contextualiza.

 

Além das iniciativas da UnB, a própria escola organiza atividades complementares, com professores oferecendo apoio em turnos alternativos para ampliar o tempo de estudo dos alunos. Para Dereck Santos Silva, atualmente estudante de Psicologia, esse conjunto de estímulos foi decisivo. “Eles motivaram muito mais a minha vontade de entrar. Foi fundamental para eu começar a estudar de verdade”, relata.

 

A presença de professores jovens, muitos deles egressos da UnB, também contribui para a identificação dos estudantes com a Universidade. A professora de Matemática Maria Paula Barbosa, formada na UnB, vê no próprio percurso uma ferramenta de incentivo. “Sempre digo a eles que vim de escola pública, estudei na UnB e consegui meu primeiro trabalho. Cabe a mim mostrar que esse mundo também é deles”, afirma.

 

PERTENCIMENTO – Uma das estratégias adotadas pelo CED 2 é levar os alunos para conhecer a Universidade de Brasília. As visitas aos campi e a participação em atividades acadêmicas ajudam a transformar o desejo de ingressar no ensino superior em um projeto concreto. “Muitos alunos nunca tinham sequer atravessado a ponte JK. Conhecer a Universidade influencia diretamente no desejo de estudar nela”, observa o professor de Educação Física Fellipe Augusto Novais. 

Visitas aos campi são importantes para incentivar o desejo de ingresso na UnB em estudantes de ensino médio. Foto: Mozaniel Silva/Secom UnB

 

A estudante de Nutrição na UnB Alessandra Silvano de Souza conta que esteve diversas vezes no campus durante o ensino médio. “Cada vez que eu ia, sentia mais vontade de estar ali. A gente só consegue alcançar um sonho quando consegue se imaginar naquele lugar”, diz.

 

Para a diretora do CED 2, Nádia Lopes, egressa da Universidade de Brasília, a parceria com a UnB tem um significado especial. “Meu compromisso com a comunidade é devolver aquilo que o Estado me proporcionou por meio da UnB. Esse vínculo é fundamental para a escola”, destaca.

 

Um diferencial dos projetos de extensão é a participação direta da comunidade na definição das ações. De acordo com o coordenador de extensão Lucas Moreira, antes da abertura dos editais, são realizados fóruns locais de escuta com escolas, lideranças comunitárias e representantes da região. “As demandas apresentadas nesses espaços orientam as diretrizes dos editais. Todo projeto executado passou pelo crivo da comunidade”, explica.

 

As iniciativas evidenciam o papel da extensão universitária como instrumento de transformação social, ao criar oportunidades para estudantes da educação básica, fortalecer a permanência estudantil e aproximar a Universidade de Brasília das realidades do Distrito Federal.

 

Mais informações sobre os projetos de extensão podem ser consultadas no site do Decanato de Extensão da Universidade de Brasília, em dex.unb.br.

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