A Universidade de Brasília e o Brasil ficaram com a terceira colocação no Campeonato Mundial Universitário de Cheerleading, finalizado no domingo (7), em Gutemburgo, na Suécia. A conquista inédita, com o país pela primeira vez na competição, veio na categoria Coed Elite, disputada por equipes mistas em exercícios na segunda mais alta faixa de dificuldade técnica da modalidade. Os times representantes da China e da Malásia terminaram, respectivamente, na primeira e na segunda colocações. Organizado pela Federação Internacional do Esporte Universitário (Fisu), o evento reuniu 430 estudantes-atletas de cinco continentes.
“Representar o Brasil e, em especial, a UnB no cheerleading universitário foi uma realização sem tamanho. Conheci a modalidade na própria Universidade e nunca imaginei que aquele esporte que observava pelos corredores do ICC me levaria tão longe”, comemora a medalhista Maria Eduarda Mesiano. Estudante de Farmácia, ela também celebra as experiências na gestão do Clube de Cheerleading da UnB, em que é vice-presidente. “Algo que parecia somente um sonho se tornou palpável para os atletas. Gratidão, realização, ambição e pertencimento são sentimentos que transbordam junto à medalha e a todas as experiências vividas nessa última semana”, diz.
O presidente do clube, Gabriel Miranda, acompanhou do Brasil a conquista. “Participar de toda a organização e transformar esse projeto em realidade foi uma sensação maravilhosa, mas não estar presente com eles na arena foi, de início, estranho. Queria a todo momento dar forças e gritar por eles”, afirma o estudante de Educação Física. “Essa conquista vai muito além da medalha para o nosso esporte. É a primeira vez que o Brasil tem um representante nessa competição, foi uma participação inédita do nosso país.”
Os treinos da equipe foram intensificados nas semanas que antecederam o campeonato, em alguns dias se estendendo até a madrugada. Em geral, a preparação em grupo é realizada três vezes por semana, após as aulas. “Treinamos muito para nos preparar, conseguimos levar uma rotina consistente e com dificuldades do nível. Tínhamos em mente a grandiosidade da competição, então esse resultado é surpreendente. Mas nós plantamos muito, com muito suor para conseguir alcançar o que era de nosso merecimento”, diz Gabriel.
“Temos muito orgulho de ver nossos atletas representando a UnB, o DF e o Brasil. Estamos mostrando que nosso empenho traz retorno e que conseguimos competir em nível internacional”, afirma a decana de Assuntos Comunitários (DAC), Camila Areda, que acompanhou a delegação na Suécia e aponta a prática de esportes como um dos pilares da atual administração superior.
“Foi uma experiência incrível, um dos momentos mais emocionantes da minha carreira na UnB”, garante ela, que se disse admirada pelo comprometimento da equipe em buscar a máxima precisão nas execuções dos movimentos. “A emoção da conquista, de vê-los comemorando, foi única.”
O êxito também é festejado pela presidente da Confederação Brasileira de Cheerleading Desportivo (CBCD), Lara Magalhães. “A gente ficou muito satisfeita com o resultado na primeira participação do Brasil nos jogos da Fisu. É um momento histórico para nossa comunidade”, diz. Além do empenho de atletas e técnicos, ela credita o resultado à aproximação da entidade com o poder público e instituições universitárias e ao trabalho em parceria com a Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), que, desde 2019, inclui o cheerleading nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs).
IMPACTOS E OPORTUNIDADES – A avaliação de Lara é a de que “esse resultado impulsiona diretamente as equipes universitárias e todo o contexto do cheerleading no Brasil. E eleva o nível o técnico exigido e abre conversas sobre o aumento do nível nos JUBs”.
O coordenador de Esporte e Lazer (CEL/Deac/DAC), Arthur Ferreira, também tem a expectativa de popularização do esporte. “A visibilidade com o pódio mundial tende a ampliar a procura por treinamentos, seletivas e ações de divulgação da modalidade, além de fortalecer o reconhecimento institucional do cheerleading como importante ferramenta de integração estudantil e representação esportiva da UnB”, diz.
O Clube de Cheerleading da UnB está atento ao potencial de crescimento interno da modalidade e aponta as ofertas na disciplina optativa Prática Desportiva e os treinos amadores nas atléticas como formas de iniciação. “O clube também é uma forma de iniciar no esporte, mas, infelizmente, nossas seletivas acontecem apenas uma vez ao ano, no início do primeiro semestre letivo”, explica Gabriel Miranda, que, assim como a maioria dos atletas da UnB, teve o primeiro contato com o esporte na Universidade.
PARTICIPAÇÃO E AUXÍLIOS – Além da estudante Maria Eduarda Mesiano, o time que viajou à Suécia é formado por Ana Beatriz Aor (Educação Física), Ana Júlia Brasileiro (Ciências Biológicas), Ângelo Dulci (Engenharia Química), Ariel Sousa (Medicina), Bárbara Luísa (Ciências Biológicas), Catarina Floriano (Educação Física), Clara Helena Reis (Ciências Biológicas), Gabriel Farias (Nutrição), Glendha Kelly (Educação Física), João Pedro Heep (Relações Internacionais), Juliane Scheidt (Publicidade e Propaganda), Lucas Noronha (Ciências Biológicas), Luiz Alexandre Turque (Educação Física), Miriã Oliveira (Educação Física), Talles Farias (Educação Física) e Tiago Abner (Direito). Matheus Satori, egresso de Educação Física, e Luíza Brasiel são os treinadores da equipe.
Entre outros apoios institucionais, a UnB contribuiu para a participação com o auxílio-viagem individual ofertado por meio de edital do DAC. As passagens foram obtidas pelo Programa Compete Brasília, vinculado à Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) do governo local. A Federação do Esporte Universitário do Distrito Federal (Fesu) foi responsável pelo seguro-viagem, e a CBDU garantiu a hospedagem e os uniformes de passeio da equipe.
“Essa medalha representa a união entre estudantes, Universidade, entidades esportivas e poder público em torno de um projeto que colocou a UnB e o Brasil entre as melhores equipes universitárias do mundo”, avalia Arthur Ferreira.
