Livreiro Chiquinho chega a meio século de história na UnB. Revisite trechos de sua trajetória e saiba os planos para o futuro assistindo ao material da UnBTV, disponível no player acima.
Há meio século, livros, conversas e encontros fazem parte do cotidiano de Francisco Joaquim de Carvalho, o Chiquinho, figura conhecida e querida nos corredores do Instituto Central de Ciências (ICC), no campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília. O livreiro completou 50 anos de relacionamento com a UnB, uma história marcada pela paixão pelos livros, pela escuta atenta e pela proximidade com leitores que, ao longo do tempo, se tornaram amigos.
A trajetória começou em 1975, quando Chiquinho chegou à UnB vendendo jornais e revistas. “Foi o pontapé inicial desse meio século que eu estou aqui na Universidade”, relembra. Desde então, ele acompanhou transformações institucionais, culturais e tecnológicas, mantendo viva uma atividade cada vez mais desafiadora diante do avanço das grandes distribuidoras e das plataformas digitais.
Mais do que um ponto de venda, a livraria de Chiquinho tornou-se espaço de convivência, troca de ideias e memória. Estudantes, servidores e visitantes encontram ali um livreiro que conhece seus leitores, lembra do que já leram e sugere novos caminhos literários. “O Chiquinho se manteve firme, se manteve resistente e continua com sua atividade, apesar de todas as circunstâncias muitas vezes negativas”, reconhece o professor aposentado da Faculdade de Comunicação Hélio Doyle, documentarista da vida de Chiquinho.
Para a estudante de Arquitetura e Urbanismo Ana Luzia Santos, o vínculo vai além da leitura. “Ele me cativou pela oralidade, pelas histórias. Mesmo não sendo uma leitora assídua, ele me instiga a buscar livros, autores e momentos históricos”, relata. Em um trabalho acadêmico, ela chegou a homenageá-lo ao nomear uma ponte como “Carvalho”, em referência ao livreiro e a um conselho recebido de Cora Coralina, cujo autógrafo Chiquinho guarda desde 1982.
AUTÓGRAFOS – A coleção de autógrafos é um capítulo à parte dessa trajetória. São quase 540 assinaturas de escritores e personalidades nacionais e internacionais, como Cora Coralina, José Saramago e Nelson Mandela. “O autógrafo é um documento inalienável. Ele prova que aquele encontro existiu”, explica Chiquinho, ao lembrar do momento em que passou a compreender o valor histórico dessas assinaturas.
O ex-reitor da Universidade de Brasília José Geraldo de Sousa Junior destaca o papel simbólico do livreiro. “O Chiquinho está na história da UnB, é parte da história, uma expressão identitária da Universidade. A livraria dele não é apenas um ponto de venda, é um ponto de cultura”, afirma.
PATRIMÔNIO HUMANO – Para Hélio Doyle, a presença constante de Chiquinho ao longo de cinco décadas o transforma em um elo entre diferentes gerações. “Ele é um dos maiores patrimônios humanos da Universidade de Brasília, porque interage com toda a Universidade e também com o público externo”, avalia.
Mesmo após 50 anos de atividade, a ideia de aposentadoria não faz parte dos planos do livreiro. “Não penso em parar. O público me rejuvenesce, me renasce. Existe uma afetividade, um amor ao ofício, que é o que me deixa feliz”, diz.
Assim, entre livros, histórias e conversas olho no olho, Chiquinho segue escrevendo, no cotidiano da Universidade de Brasília, uma história feita de resistência cultural, memória e encontros.
*com informações da UnBTV.
