DIÁLOGO

Palestra desta terça (25) foi ministrada pelo especialista em finanças José Kobori e pela economista Juliane Furno, no auditório da ADUnB

Os palestrantes José Kobori (esq.) e Juliane Furno (dir.), junto ao mediador do debate, Daniel Seidel (centro), no segundo dia do Seminário Espírito do Tempo. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB


Economia Mundial, Desigualdade e Desenvolvimento em Tempos de Crise
foi o tema debatido pelo especialista em finanças José Kobori e pela economista Juliane Furno no segundo dia do Seminário Espírito do Tempo– Mudança de Época. O evento ocorreu no Auditório da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, na tarde desta terça-feira (25).

 

O seminário é dividido em dois blocos, com cinco debates cada, e propõe reflexões sobre os principais desafios do século XXI em diálogos impulsionados por questionamentos enviados previamente pelo público. A primeira palestra, na segunda-feira (24), abordou A nova ordem mundial: geopolítica, multipolaridade e Sul Global

 

Já os palestrantes desta terça trataram de temas relacionados à economia global, como os impactos das crises econômicas, o avanço das economias emergentes e as alternativas para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável. A mediação ficou a cargo do coordenador da Red Eclesial Justicia y Paz en la Patria Grande e membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), Daniel Seidel.

Economista Juliane Furno considera que atuais mudanças na economia global podem ser indícios da emergência de uma ordem mundial multipolar. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

PERSPECTIVAS INTERNACIONAIS – Juliane Furno analisou os desafios da economia global, o imperialismo contemporâneo, a produção no Sul Global, o sistema da dívida internacional, a desdolarização e a construção de uma nova ordem global.

 

“O imperialismo não acabou, ele mudou de forma. Hoje, a dominação e a apropriação das riquezas produzidas na periferia são feitas por meio dos instrumentos de mercado”, explicou. Para ela, mecanismos como o poder das grandes corporações, as cadeias globais de valor e a centralidade do dólar contribuem para a transferência de riqueza dos países periféricos para os países centrais.

 

A economista ainda destacou mudanças na economia mundial impulsionadas pela China, pela busca por alternativas ao dólar e pelo fortalecimento do Sul Global, apontando essas tendências como sinais de uma transição para uma ordem mundial mais multipolar. Ao abordar o Brasil, Juliane afirmou que as transformações na ordem internacional podem criar oportunidades para ampliar a soberania nacional.

 

NOVA ORDEM MUNDIAL – José Kobori destacou os conflitos internacionais que, segundo ele, fazem parte do processo de transformação da ordem global, marcado pelo enfraquecimento relativo da hegemonia estadunidense e pela ascensão de novas potências. Para Kobori, as disputas por rotas comerciais, logística e energia estão no centro dessa nova reconfiguração geopolítica e econômica.

O especialista em finanças José Kobori fez uma análise sobre as mudanças na ordem mundial e os desafios para o desenvolvimento econômico brasileiro. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

“Talvez a gente esteja passando por uma mudança da ordem mundial que a gente conhece, assim como aconteceu lá atrás”, afirmou. Para Kobori, esse cenário abre uma oportunidade para que o Brasil fortaleça sua soberania econômica e retome uma estratégia de desenvolvimento baseada na industrialização e no investimento público.

 

“Essa mudança da ordem mundial pode nos abrir uma porta de oportunidade para que o país se desenvolva”, alegou. Ele também enfatizou a importância dos investimentos em educação, ciência, tecnologia e infraestrutura, defendendo que o país precisa superar a dependência da exportação de commodities e aproveitar o momento histórico para ampliar sua participação na economia mundial e fortalecer seu desenvolvimento.

  

ACOMPANHE – O seminário é realizado pela UnB em parceria com a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). A programação conta com apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), da Associação de Docentes da UnB (ADUnB), do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães (DCE).

 

O primeiro bloco do Seminário Espírito do Tempo ocorre de 24 a 28 de agosto, no Auditório da ADUnB. Os debates estão programados para as 17h.

 

Nesta quarta-feira (26), Mercedes Bustamante e Eva Potiguar protagonizam o debate Emergência climática, transição ecológica e disputa por recursos estratégicos. Na quinta-feira (27), Renata Mielle e Virgílio Almeida discutem Inteligência artificial, desinformação e poder das plataformas digitais. O primeiro bloco termina na sexta-feira (28), com A intersecção entre política e religião, tema que será discutido por Jung Mo Sung e Christina Vital da Cunha.

 

O segundo bloco do seminário está programado para ocorrer de 28 de setembro a 2 de outubro. De acordo com a organização, as reflexões produzidas ao longo dos dois blocos serão reunidas em um livro após o encerramento da programação.

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