DIVERSIDADE

Recepção marca o ingresso dos calouros do primeiro vestibular com cotas trans

Programação de boas-vindas incluiu ações de acolhimento, apresentações e orientações a discentes LGBTQIA+. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

A Universidade de Brasília realizou, na tarde de terça-feira (17), uma recepção especial para acolher e integrar a comunidade discente LGBTQIA+. O evento aconteceu no Anfiteatro 10 do ICC Sul, no campus Darcy Ribeiro, e integrou as ações institucionais de promoção da diversidade, em reforço ao compromisso da UnB com políticas de inclusão e permanência.

 

Organizada pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH), pelo Núcleo de Estudos da Diversidade Sexual e de Gênero (Nedig/Ceam) e pela Diretoria de Esporte e Organizações Comunitárias (Deac/DAC), a acolhida calorosa destacou-se por receber a primeira turma de estudantes ingressantes por meio das cotas para pessoas trans. Integrantes do projeto Vivência Ballroom UnB recepcionaram a comunidade com uma breve experiência de voguing, um tipo de performance estilizada que simboliza o empoderamento LGBTQIA+ e valoriza identidade, diversidade e inclusão.

Coordenadora LGBTQIA+ da SDH, Maria Célia Selem celebrou o espaço de interlocução com estudantes recém-ingressos pela política de cotas. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

“Esse evento é parte das atividades de boas-vindas aos calouros e é importante por ser um espaço de acolhimento para essa comunidade, principalmente para estudantes que estão entrando agora pelo primeiro vestibular de cotas trans”, comentou Maria Célia Selem, responsável pela Coordenação LGBTQIA+ da SDH. A ação incluiu apresentações institucionais sobre a secretaria e os canais de ouvidoria, e orientações sobre políticas e direitos dos estudantes, como uso do nome social e canais para eventuais denúncias.

 

"Para os que estão chegando, quero dizer que a UnB é de vocês e que a presença de estudantes LGBTQIA+ fortalece a diversidade e ajuda a construir uma Universidade mais justa, plural e humana”, pontuou Ágata Guerra, ouvidora da UnB. Também esclareceram dúvidas dos estudantes o coordenador de Arte e Cultura (CoAC/Deac/DAC), Rafael Zonta, e o secretário adjunto da Secretaria de Administração Acadêmica (SAA), Daniel de Almeida.

 

O coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Maktos Gonçalves, contextualizou as lutas até a aprovação das cotas trans e se disse “animado por participar da história, que foi influenciada por quem veio antes e pela luta pelos direitos [LGBTQIA+]”. 

 

Durante a tarde, houve ainda a apresentação de coletivos estudantis com o objetivo de criar uma rede de apoio, convivência e integração entre calouros com a comunidade de veteranos. 

 

CALOUROS – Alex Santiago e Nicholas Moon acabaram de ingressar no curso de Letras – Língua e Literatura Japonesa e falaram da expectativa de conhecer mais pessoas e de estar em um lugar em que se sintam pertencentes. “Eu entrei pelo PAS [Programa de Avaliação Seriada], mas também fiquei na lista de espera pelas cotas trans. Como pessoa não binária de gênero fluido, espero me conectar e continuar buscando mais igualdade e diversidade”, comentou Alex.

 

“Eu fiquei com medo de não ser aceita porque eu sou gênero fluido, mas fiquei muito feliz quando fui aprovada. A entrevista foi super tranquila e com pessoas trans avaliando. Achei que foi um avanço”, disse Nicholas.

Na imagem, recém-ingresso Luca Azure (centro) acompanhado de Maya Maia (esquerda) e do amigo, o calouro em Engenharia da Computação Mário Hessen (direita). Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

Luca Azure também ingressou pelas cotas no curso de Licenciatura em Filosofia. “Quando soube que a UnB tinha aberto essa possibilidade, senti como se fosse uma luz no fim do túnel para construir o meu futuro por conta própria”, revelou. O acesso de Luca inspirou Maya Maia, com quem namora, a querer tentar ingressar na instituição pelo sistema.

 

Já o amigo Mário Hessen, calouro no curso de Engenharia da Computação, disse estar contente pela conquista após a implementação das cotas trans. “Temos muito que lutar ainda para não perder mais oportunidades só por sermos nós mesmos. Vejo com responsabilidade representar os primeiros calouros das cotas trans, e também fico feliz por saber que terão muitos outros depois."

 

APRENDER, PRATICAR, VIVER – Aprovada em 2024 pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), a política de cotas para pessoas trans prevê a reserva de 2% das vagas para esse público nos cursos de graduação da Universidade. A medida, mais uma vez, demonstra o pioneirismo da UnB, uma das primeiras instituições de educação no país a garantir o acesso de pessoas trans ao ensino superior por meio de cotas.

 

O evento de acolhida dialoga com a campanha institucional deste ano, Democracia todos os dias: aprender, praticar, viver.  A iniciativa reforça o compromisso da Universidade como espaço de diversidade, transformação, participação e democracia. Também destaca os eixos de pluralidade, pertencimento e ação democrática propostos pela campanha.

 

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