A Universidade de Brasília realizou, entre terça-feira (25) e sexta-feira (26), a Escola de Verão AUGM – Jardins Naturalistas na América Latina: Paisagem e Biodiversidade. O encontro internacional reuniu pesquisadores, docentes e profissionais para discutir o papel do paisagismo naturalista na valorização da biodiversidade e na construção de cidades mais sustentáveis.
A reitora Rozana Naves situou o evento no contexto do compromisso institucional com a justiça socioambiental e da necessidade de adaptação às mudanças climáticas. “Enfrentar a elevação das temperaturas não significa simplesmente instalar ar-condicionado em todas as salas. É preciso pensar novas práticas, manejo sustentável do solo e proteção das águas”, disse. Ao destacar o papel estratégico do Cerrado, reforçou a responsabilidade da UnB na formulação de soluções sustentáveis.
O vice-reitor Márcio Muniz ressaltou o caráter paisagístico de Brasília e a importância das áreas verdes na regulação do microclima e na preservação da biodiversidade. “Aqui na Universidade, essa paisagem educa, acolhe e inspira”, afirmou, destacando iniciativas como o Viveiro-Escola, a Central de Compostagem e o Jardim de Sequeiro.
O secretário de Meio Ambiente da UnB, Júlio Pastore, avaliou que a Escola de Verão consolida um trabalho iniciado na Prefeitura do Campus que integra gestão e produção de conhecimento. “Transformamos a rotina dos serviços em espaço de experimentação e inovação”, explicou.
Para a prefeita da UnB, Danielle Silva Coelho, falar de jardins naturalistas é falar de cuidado com o território e com as pessoas. “O Jardim de Sequeiro nasce e floresce com as chuvas do Cerrado e se recolhe no período seco. Isso é sustentabilidade, é aprendizado e compromisso ambiental”, frisou.
INTEGRAÇÃO – A iniciativa integra a programação da Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), rede que reúne universidades públicas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. As Escolas de Verão e Inverno da AUGM têm como objetivo fortalecer a cooperação acadêmica e ampliar a integração regional no ensino superior.
Estruturada em três eixos – Plantas Nativas, Composição Naturalista e Manejo Sustentável – a Escola de Verão apresentou experiências desenvolvidas em diferentes biomas latino-americanos, destacando soluções técnicas e culturais adaptadas às realidades locais.
Ao longo dos três dias, o público participou de palestras, mesas-redondas, debates e atividades culturais. Entre os temas debatidos estavam paisagismo candango, biodiversidade urbana, adaptação climática, ancestralidade, composição naturalista e o uso de espécies nativas, exóticas e invasoras.
Também integraram a programação visitas técnicas ao Viveiro-Escola, à Central de Compostagem e a jardins da própria Universidade, incluindo o premiado Jardim de Sequeiro, implantado no Instituto Central de Ciências (ICC). Especialistas do Brasil, Uruguai, Chile, México, Argentina e Reino Unido compartilharam experiências que articulam ciência, arte, design e conservação ambiental.
