A UnB sediou, na última sexta-feira (25), a mesa de encerramento do 32º Congresso de Iniciação Científica da UnB e 23º Congresso de Iniciação Científica do DF, que voltou a integrar a programação da Semana Universitária (Semuni) neste ano. A cerimônia foi realizada no Auditório Jayme Golubov, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), no ICC Norte, campus Darcy Ribeiro, e reuniu estudantes e pesquisadores para debater o tema Saberes em Formação: Percursos de Iniciação Científica nas Diferentes Áreas do Conhecimento.
As palestra ficou a cargo dos professores Márcio Catelan, da Universidade Estadual Paulista (Unesp); Ana Figueiredo, da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde da Universidade do Distrito Federal (Fepecs/UnDF); e Vinícius Rispoli, da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE/UnB). Já a mediação foi feita por Juscelino Bezerra, diretor da Diretoria de Fomento à Iniciação Científica (DIRIC/DPG/UnB).
Na oportunidade, a professora Ana Figueiredo falou sobre como a iniciação científica oportuniza a aproximação de estudantes dos desafios reais da saúde e gera impactos concretos na sociedade e defendeu a produção de pesquisas conectadas às necessidades reais da população.
“O grande desafio é pensar como a pesquisa pode transformar, mesmo que de forma pequena, a realidade das pessoas e dos serviços de saúde”, pontuou. Ela ainda salientou que “há um desafio em enxergar e pensar a ciência além da coleta de dados, pensando na transformação e impacto do serviço”.
Já o professor Márcio Catelan abordou a inovação na área das ciências humanas, destacando que ela nasce da capacidade de questionar a realidade e buscar novas formas de produzir conhecimento. Ele ainda falou sobre a revolução causada pelo uso da inteligência artificial nas pesquisas e a mudança dos parâmetros da ética.
“Inovar é interrogar o próprio modo de conhecer e isso também significa produzir novos recortes da realidade para tornar visíveis problemas que antes não podíamos ver”, comentou.
No ponto de vista das ciências exatas, Vinícius Rispoli destacou que a iniciação científica traz para os alunos um olhar diferente e exige autonomia para lidar com problemas que não possuem respostas prontas. Isso porque, segundo ele, “a graduação costuma preparar os alunos para resolver exercícios já estruturados, enquanto a pesquisa exige leitura, busca por referências e criatividade para construir novos caminhos”.
O docente também abordou o uso da inteligência artificial, ressaltando seu potencial como ferramenta de apoio, criada inicialmente para as ciências exatas, mas chamando atenção para questões éticas relacionadas à autoria e ao uso responsável dessas tecnologias.
“Recentemente tivemos um dos chamados problemas do milênio da matemática resolvidos por uma IA. Isso nos faz repensar o debates sobre a validação rigorosa, além do uso de dados prévios coletados de um usuário da plataforma”, destacou o professor.
PROGRAMAÇÃO – O Congresso de Iniciação Científica contou ainda com cerimônia de abertura realizada na tarde de terça-feira (22), no Auditório da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), no campus Darcy Ribeiro, com a presença do vice-reitor da UnB, Márcio Muniz, e da decana interina de Pós-Graduação da UnB, Taís Gratieri.
Com o tema Iniciação Científica no Brasil: diversidades regionais e desafios para o financiamento, o evento contou com palestras da professora Luciana Lessa, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e de Lisandra Santos, coordenadora-geral de Cooperação Nacional em CT&I do CNPq. Já as apresentações de pôsteres foram realizadas no Centro Comunitário Athos Bulcão, sendo na quarta-feira (23) realizadas as de Artes e Humanidades; na quinta-feira (24), de Saúde e Vida; e na sexta-feira (25), de Exatas e Tecnológicas.
Estudante do sexto semestre de Relações Internacionais João Reinholz, que apresentou uma pesquisa sobre inteligência artificial, vigilância e o conceito de necroalgoritmização, falou sobre o desafio de conciliar a vida acadêmica com a de atleta integrante do Cheerleading da UnB. “Foi um processo conseguir executar a pesquisa com todos esses objetivos múltiplos, mas a Universidade também é isso. Acho que são caminhos que, apesar de muito difíceis, são conciliáveis e a gente consegue", conclui João.
Já Yasmin Aparecida, do sétimo semestre de Relações Internacionais, que investigou a efetividade de políticas públicas voltadas para mulheres negras no contexto socioeducacional do Distrito Federal, falou sobre a satisfação de apresentar os resultados da pesquisa e a sensação de dever cumprido. “A gente realmente se sente muito realizado por ter concluído e apresentado o trabalho”, disse a estudante.
Também participaram da programação, representantes das outras 13 instituições participantes: Centro Universitário de Brasília (UniCEUB); Universidade Católica de Brasília (UCB); Instituto Federal de Brasília (IFB); Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS/SES-DF); Centro Universitário do Distrito Federal (UDF); Centro Universitário Estácio de Brasília; Hospital Universitário de Brasília (HUB/UnB/HU); Centro Universitário IESB; Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF); Colégio Militar de Brasília (CMB); Instituto Federal de Goiás, Campus Águas Lindas (IFG); Fundação Getúlio Vargas (FGV) e UPIS Faculdades Integradas.
“A novidade deste ano foi a modernização do aplicativo Plic, utilizado para a realização das inscrições dos alunos e avaliadores, além de ser utilizado para fazer a avaliação, tudo de forma digital, feito pelo celular, com a divulgação instantânea das notas, indicações de menções honrosas e para premiação”, destacou o diretor Juscelino Bezerra. A cerimônia de premiação está prevista para acontecer em 29 de outubro, no Auditório da ADUnB.
