REDUÇÃO DE RISCOS

Equipe da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da UnB irá medir e avaliar o conforto térmico e a qualidade do ar em salas de aula 

Projeto analisará qualidade do ar em escolas públicas do DF para reduzir riscos de contaminação por covid-19. Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

 

Uma das preocupações quanto à reabertura das escolas neste período de pandemia é a adequação dos espaços para que as atividades pedagógicas sejam realizadas de forma adequada, com redução dos riscos de circulação do novo coronavírus. Um projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de Brasília pretende contribuir para tornar esses ambientes mais confortáveis e seguros, preparando-os para receber crianças, adolescentes e professores quando as aulas presenciais da rede pública de ensino do Distrito Federal forem retomadas – ainda não há data prevista. 

 

Trata-se do Escolas Bioclimáticas e Saudáveis: Conforto Térmico e Qualidade do Ar Interno em Ambientes Escolares, que propõe a medição e avaliação da qualidade do ar nas escolas do DF. A iniciativa é derivada de um outro projeto de extensão existente há cinco anos, o Escolas Bioclimáticas, que também busca métodos para classificar a qualidade do ar em ambientes escolares.

 

"Com a dimensão da covid-19, expandimos a temática para a questão da salubridade e qualidade do ar. Está na fase inicial e estamos começando a coletar dados da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), mas a ideia é expandir para as escolas. Por ser um projeto antigo, já trabalhamos há vários anos com algumas escolas do DF localizadas nas regiões administrativas de Paranoá, São Sebastião e, atualmente, Cruzeiro", afirma o coordenador do projeto e professor da FAU, Caio Frederico e Silva.

Membros do antigo projeto Escolas Bioclimáticas durante visita ao Centro de Ensino Médio (CEM) de São Sebastião, em 2017. Foto: Arquivo pessoal

   

Além dele, são integrantes os professores da FAU Gustavo Luna, Joára Cronemberger e Vanda Zanoni. Também participam alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Engenharia Civil da UnB e um doutorando da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

 

A equipe de pesquisadores realizará medições das condições de conforto térmico nas escolas selecionadas. Serão usados equipamentos como termômetros (para medir temperatura), higrômetros (para avaliar umidade) e anenômetros (para observar a velocidade do vento).

 

Além destes recursos, serão utilizados programas computacionais capazes de simular o ambiente das salas de aula quanto ao controle e desempenho ambiental dos espaços, com base no trabalho realizado pelo grupo de pesquisa Simulação Computacional no Ambiente Construído (SiCAC).

 

Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, o SiCAC discute o uso de ferramentas computacionais aplicadas a diferentes escalas. Questionários com perguntas sobre aceitabilidade de conforto e desconforto térmico também serão aplicados entre os usuários das escolas (crianças, adolescentes e professores).

 

Para o professor Caio Frederico, a boa estruturação desses espaços interfere diretamente no rendimento de estudantes e docente, além de poder contribuir para diminuir os riscos de disseminação da covid-19 no atual contexto de pandemia.

 

"A escola é um espaço aglutinador, que precisa da qualidade do ar e do conforto ambiental para que o aluno desenvolva sua atividade de aprendizado e o professor consiga passar o ensinamento com qualidade. O ambiente de sala de aula é um ambiente muito complexo, muito denso e, por esse motivo, sobretudo em um contexto de pandemia, a qualidade do ar desse espaço é fundamental para a saúde de todos os usuários do espaço", alega.

Pesquisador da FAU Thiago Góes mede a temperatura da cobertura de uma escola no DF. Foto: Arquivo pessoal

 

Segundo o docente, "a qualidade do ar e o conforto garantem que o aluno esteja atento e tenha um aproveitamento total no seu processo de aprendizagem. Um espaço escolar sem qualidade, muito quente e que não traz conforto, faz com que o aluno não aprenda com qualidade, daí a importância do espaço escolar qualificado".

 

Caio também alerta para os cuidados no uso de equipamentos como ar-condicionado em ambientes escolares. "Algumas universidades americanas têm controle muito grande do plano de saúde dos alunos, e já foi constatado que, em salas de aula densas, com muitos alunos e com ar-condicionado, há muitos casos de estudantes com doenças respiratórias, pois o equipamento sem renovação do ar adequada é o grande vilão da qualidade do ar. Se não houver uma boa manutenção e o uso de filtros adequados, o aparelho por si só não garante a qualidade do ar."

 

Os responsáveis pelo projeto realizaram a tradução de um guia para reabertura de escolas e universidades com orientações para ajudar no planejamento de soluções para a melhoria da qualidade do ar nesses espaços e, assim, diminuir as possibilidades de transmissão do novo coronavírus. Esse material foi elaborado pela American Society of Heating and Air-Conditioning Engineers (ASHRAE).

 

>> Confira aqui a tradução do Guia para reabertura de escolas e universidades: ASHRAE Epidemic Task Force 

 

O projeto também está avaliando e monitorando salas da UnB em relação ao conforto térmico, sobretudo nos meses mais quentes do ano no Distrito Federal. O trabalho é conduzido com base na dissertação de mestrado do arquiteto Adriano Loes, que avaliou aspectos do conforto térmico em seis capitais brasileiras (Brasília, Cuiabá, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e São Paulo). Há o plano de desenvolver um indicador de salubridade em ambientes escolares.

 

"O impacto social do projeto é gigantesco porque, quando falamos em escola pública, atingimos uma grande quantidade de pessoas, além de que a escola, na comunidade, é uma estrutura importante para as pessoas. Muitas crianças e adolescentes passam boa parte do dia na escola, seja nas salas de aula, na biblioteca ou na quadra de esporte, o que faz do local uma grande âncora de ensinamento e de aprendizado para a comunidade", destaca o coordenador do projeto.

 

FOMENTO – A iniciativa teve financiamento de R$ 30 mil aprovado em edital do Comitê de Pesquisa, Inovação e Extensão de combate à covid-19 (Copei) e dos decanatos de Pesquisa e Inovação (DPI) e de Extensão (DEX) para viabilizar apoio às ações da UnB de enfrentamento à pandemia.

 

No total, o projeto está orçado em torno de R$ 160 mil, valor necessário para compra de licenças anuais dos programas utilizados e de equipamentos especiais, como medidor de gás carbônico (CO2), e pagamento de bolsas para os alunos de graduação, mestrado e doutorado envolvidos na pesquisa.

 

Outros projetos de combate à covid-19 da UnB podem ser apoiados com recursos. Com intuito de viabilizar o financiamento dessas iniciativas, o Copei criou, em convênio com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), um fundo de doações. A proposta é que pessoas físicas e entidades da sociedade civil possam contribuir com a destinação de valores por meio de boleto, depósito bancário, cartão de crédito ou PayPal.

 

As doações são recebidas pelo link https://www.finatec.org.br/doacaoprojetos/form e vão para projetos específicos da UnB ou para o fundo geral, a critério do doador. O comitê gestor do fundo irá direcionar as contribuições, de acordo com os critérios de classificação nas chamadas prospectivas de iniciativas de enfrentamento à covid-19 realizadas pelo Copei, DPI e DEX.

 

Serviços, materiais ou equipamentos também podem ser doados. Para isso, é preciso, primeiro, articular a ação junto ao Decanato de Pesquisa e Inovação (DPI), pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

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