No mês de agosto, a Universidade de Brasília (UnB) dedica programação específica para reflexão sobre a violência contra a mulher. Nesta terça-feira (18), no anfiteatro 9 do Instituto Central de Ciências (ICC), campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, houve a primeira exibição da peça teatral Violeta: a cara da inocência, encenada por estudantes do Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) de Santa Maria.
Baseada no texto do teatro-educador espanhol José Canas Torregrosa, com adaptação e direção do professor Rafael d'Carvalho, do CEMI Santa Maria, a montagem acompanha a história da menina Violeta, que vivencia a realidade da violência doméstica.
A narrativa evidencia os impactos da violência sobre toda a família e convida o público à reflexão sobre uma realidade ainda presente em muitos lares brasileiros.
Além de marcar as duas décadas da Lei Maria da Penha, que instituiu instrumentos para coibir a violência contra a mulher, a peça integra um conjunto de ações do Agosto Lilás pensadas pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH/UnB), por meio da Coordenação de Mulheres (Codim), e pela Faculdade de Direito (FD/UnB) para sensibilizar a comunidade universitária sobre essas diferentes formas de violência – física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. As iniciativas reforçam a importância da prevenção, do acolhimento às vítimas e do encorajamento à denúncia.
“A peça em si é fundamental para que a gente consiga dar voz ao que os estudantes já vivenciam”, disse o professor de Filosofia do CEMI Santa Maria Lukas Cardoso, assistente de produção da peça. “A questão da violência doméstica fere a alma desses estudantes, o que se reflete nas notas, no desempenho deles”, citou.
Presente no debate realizado após a exibição, Letícia Monteiro, estudante do 4º semestre de Letras – Língua Portuguesa e Respectiva Literatura e ex-aluna do CEMI Santa Maria, elogiou o trabalho dos atores.
“É muito importante transmitir essa cultura da não violência não só para meninas e meninos mais jovens que um dia vão ter relacionamentos românticos, mas para a família e para outras pessoas da comunidade”, pontuou. “Acho importante trazer a voz da periferia para dentro da Universidade, um espaço que ainda considero elitista", completou a estudante.
AGENDA – O espetáculo percorre os demais campi. Na quinta (20), esteve no auditório principal da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE), campus UnB Gama. Na segunda (24), às 14h30, será encenado no auditório Professora Clélia Parreira, da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS), campus UnB Ceilândia, e dia 28, às 15h, no auditório Augusto Boal, no campus da UnB em Planaltina (FUP).
O Agosto Lilás na UnB reúne outras atividades sobre a temática. Mesas-redondas com pesquisadoras, representantes de entidades e agentes públicos; palestra-performance e mutirão de acolhimento jurídico e psicológico estão na programação.
