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Personagem característico da vacinação nacional há quatro décadas, Zé Gotinha torna ambiente mais acolhedor e valoriza história da saúde pública no Brasil

Reportagem da UnBTV destaca trabalho do muralista Tiago Botelho na sala de vacinação do HUB 

 

Quem entra na nova sala de vacinação do Hospital Universitário de Brasília (HUB/UnB) encontra um ambiente diferente das tradicionais paredes brancas hospitalares. O espaço ganhou um mural colorido protagonizado por um dos personagens mais conhecidos da saúde pública brasileira: o Zé Gotinha. A obra reúne dois artistas ligados à história do personagem: Darlan Rosa, criador do símbolo das campanhas de vacinação, e o muralista Tiago Botelho.

 

A iniciativa integra o processo de humanização da sala de vacinação do HUB e também recupera a trajetória de um ícone que atravessa gerações e permanece associado à ciência, ao cuidado coletivo e à defesa da vacinação, bandeira que ganha maior destaque neste 9 de junho, Dia Nacional da Imunização. “O Zé Gotinha acompanha crianças e adultos. Ele cria uma conexão afetiva muito forte com as pessoas”, resume a psicóloga Siman Cândido, após visitar o espaço.

 

Segundo Tiago Botelho, o convite para criar o mural surgiu após experiências anteriores de intervenções artísticas em ambientes hospitalares. “Quando surgiu a ideia de pintar a sala de vacinação, eu pensei que fazia sentido chamar o próprio criador do personagem para participar”, conta.

 

Darlan Rosa colaborou com os desenhos que serviram de base para a obra. “O Tiago desenvolveu a partir do meu traço e colocou a linguagem dele. Acho fantástico quando as pessoas criam sobre o Zé Gotinha”, afirma o artista.

 

HISTÓRIA – Criado nos anos 1980, durante a campanha nacional de erradicação da poliomielite, o personagem nasceu inicialmente como uma proposta de identidade visual para ações da Unicef e do Ministério da Saúde. A ideia de transformá-lo em um personagem lúdico encontrou resistência no início.

 

“Naquela época, as campanhas eram muito baseadas no medo. Era ‘vacine ou seu filho vai morrer’. Eu queria criar uma comunicação afetiva, aproximar a criança da vacinação”, relembra Darlan, em entrevista ao programa Diálogos, da UnBTV.

 

A simplicidade visual do personagem também foi estratégica. Sem braços ou pernas, o desenho poderia ser facilmente reproduzido por profissionais de saúde em cartazes feitos à mão nos postos de vacinação espalhados pelo país. “A própria necessidade de facilitar a reprodução ajudou a definir a estética do Zé Gotinha”, explica.

 

O sucesso foi imediato. Uma campanha para escolher o nome do personagem mobilizou milhões de crianças brasileiras e consolidou o Zé Gotinha como símbolo nacional da vacinação. “As crianças passaram a querer ir tomar vacina”, lembra Tiago Botelho, que viveu a experiência como criança nos anos 1980.

 

HUMANIZAÇÃO – Décadas depois, o personagem segue despertando identificação. A dona de casa Maria Arlete de Morais, paciente do HUB, conta que os netos associam o personagem à alegria e ao cuidado. “Eles gostam de brincar, tirar foto com ele. Dizem que querem tomar vacina para ficar sadios”, relata.

 

No HUB, o mural faz parte de uma estratégia de acolhimento e incentivo à imunização. A enfermeira Helen Rodrigues explica que o ambiente humanizado ajuda a reduzir a ansiedade dos pacientes. “A criança, ou mesmo o adulto, presta atenção no mural e esquece até do sofrimento da vacina”, afirma.

 

A proposta também fortalece a relação entre arte, comunicação e saúde pública – áreas que marcaram a trajetória profissional de Darlan Rosa. Jornalista e publicitário de formação, ele trabalhou por 16 anos na Unicef desenvolvendo campanhas educativas em diferentes países. “O mais importante é usar talento e comunicação para fazer algo em prol das pessoas”, defende o artista.

 

Hoje incorporado também como símbolo do Sistema Único de Saúde (SUS), o Zé Gotinha segue como uma das imagens mais reconhecidas da saúde pública brasileira – agora também presente nas paredes do HUB, aproximando pacientes, trabalhadores da saúde e comunidade universitária por meio da arte e da memória coletiva.

 

 

*com informações da UnBTV.

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