INTERNACIONALIZAÇÃO

Programação temática segue até sexta (29) e conta com atividades acadêmicas e culturais voltadas à valorização das múltiplas dimensões do continente

Abertura da Semana da África aconteceu no Anfiteatro 10, no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. Programação prevê atividades até 29 de maio. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

Em 2026, o Dia da África, celebrado em 25 de maio, voltou a ser colorido, na Universidade de Brasília, por uma programação toda especial. Nesta segunda-feira (25), a efeméride ganhou ênfase com a abertura oficial da Semana da África na UnB. Realizada pela comunidade africana, com destaque para discentes do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), a agenda tem apoio da Secretaria de Assuntos Internacionais (INT) e oferta atividades no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, até sexta-feira (29).

 

O Dia da África remete ao marco histórico relacionado à criação da Organização da Unidade Africana, em 1963, e aos processos de independência e integração política dos países africanos. Realizada tradicionalmente neste período de maio, a Semana da África na UnB existe desde 2017 e reforça o compromisso institucional com a internacionalização, a diversidade cultural e a construção de espaços permanentes de intercâmbio de conhecimentos e experiências.

 

Na solenidade de abertura, realizada no Anfiteatro 10 do ICC, Sarah Koné, representante dos estudantes africanos do PEC-G, falou sobre a institucionalização do programa e a relevância dele para a formação de líderes mundiais. “Por muitos anos o PEC-G existiu e ver essa evolução significa muito para nós, pois ele não é apenas um programa de estudo, mas uma ponte entre o Brasil e o mundo”, comentou a estudante de Economia, vinda da Costa do Marfim.

 

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O coordenador da Semana da África 2026 e presidente da Federação Internacional da Diáspora Africana (FIDA), Ussumane Embalo, destacou que a presença dos estudante africanos na UnB representa "uma luta constante contra a xenofobia, o racismo e a ignorância sobre as riquezas da África”. Mestrando em Ciência Política na UnB, o estudante de Guiné Bissau mencionou o papel transformador da programação e pediu a inclusão dela no calendário oficial da instituição, “para garantir sua continuidade e expansão”.

 

Dando encaminhamento ao pedido, o vice-reitor Márcio Muniz incumbiu à decana de Extensão, Janaina Soares, a tarefa de levar à próxima reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) a proposta de institucionalização da Semana da África. “A UnB tem essa responsabilidade de contribuir para que essas relações sejam fortalecidas de forma crítica, respeitosa e transformadora”, comentou. A atitude corrobora como, na UnB, a democracia se aprende, se pratica e se vive todos os dias.

 

Idealizador do evento, o servidor técnico Rogério Almeida falou com carinho sobre a relevância das atividades para a integração dos estudantes com a comunidade e para o respeito à diversidade. “Eu fiz o papel institucional, mas quem idealizou foram os alunos, que queriam transmitir a sua mensagem e participar da comunidade acadêmica”, comentou. “Eles queriam ser vistos, pois se sentiam isolados e havia certa rejeição. Após a primeira semana, foi uma libertação”, lembrou Rogério, sobre o histórico do projeto. Ele ainda pontuou o protagonismo da UnB ao promover "o maior evento sobre a África em universidades". 

 

Ainda compuseram a mesa de abertura o assessor da Secretaria de Assuntos Internacionais e presidente da comissão organizadora, Fidel Chávez, a coordenadora do Centro de Convivência Negra Lélia Gonzalez, Elizabeth Costa, e o secretário de Assuntos Internacionais (INT), Gladston Luiz da Silva.

Celeste Konsy, Esther Baudenonga e Adesse Jerry-Adesewo compartilharam a alegria de integrar a programação da semana. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

Durante a abertura, estudantes do PEC-G destacaram a importância de sentirem-se pertencentes e verem seus países em destaque durante a semana. “É um evento muito importante para nos unir e celebrar os africanos em Brasília, além de mostrar a riqueza do nosso continente”, comentou a estudante nigeriana Adesse Jerry-Adesewo, que cantou no evento e vai participar de outras oficinas. 

 

As amigas Celeste Konsy e Esther Baudenonga são do Congo e estudam Economia. Elas destacam que a semana “ajuda as pessoas a entenderem que a África não é um país, mas um continente com muitas culturas e línguas diferentes", além de “mostrar a diversidade e a história dos 54 países africanos, dos quais muitos brasileiros descendem e não conhecem”. Ao longo da programação, elas atuarão ainda como modelo e trancista. 

 

PROGRAMAÇÃO – A agenda teve início com o torneio de futsal e basquete no domingo (24). Na segunda-feira (25), o Restaurante Universitário (RU) abriu o cardápio para receber pratos típicos, como Mafé de Frango, do Senegal e do Mali; Carne à Suya, da Nigéria; e Cachupa, de Cabo Verde, sendo cada dia servida uma opção especial.

 

A programação prevê ainda mesas-redondas, debates, oficinas, exposições, feiras, desfiles de moda e apresentações musicais voltadas à valorização das expressões culturais africanas. Tudo é oportunidade para intercâmbio acadêmico e cultural, favorecendo a circulação de conhecimentos, experiências e perspectivas. 

 

A Semana da África dialoga com os princípios do pan-africanismo e com as diretrizes da União Africana, abordando temas como diáspora africana, sustentabilidade da água e saneamento seguro para alcançar os objetivos da Agenda 2030.

 

Os assuntos foram debatidos na aula magna do professor Aninho Mucundramo, do Instituto de Ciência Política (ICS). Natural de Moçambique e há mais de 35 anos atuando na UnB, ele trouxe reflexões sobre história, passado e futuro da África. O conteúdo completo pode ser visto no player abaixo.

 

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