A nova direção do Instituto de Letras (IL) para o quadriênio 2026-2030 tomou posse na última quarta-feira (4). Assumem os professores Cesário Pereira Filho e Cacio José Fereira, como diretor e vice, respectivamente. Eles sucedem a Gladys Quevedo Camargo e Flávia de Oliveira Maia Pires, diretora e vice de 2022 a 2026. A solenidade, realizada no Auditório da Reitoria, campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, acontece um mês após a formalização da sucessão, em 1º de janeiro.
Além da nova diretoria, a mesa da cerimônia foi composta pela reitora Rozana Naves, que também é docente do IL, e pelo vice-reitor Márcio Muniz. Estiveram presentes o conselheiro da Embaixada da Colômbia no Brasil, Ramírez Orozco; a decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional, Doriana Daroit; a decana de Extensão, Janaína Soares; a prefeita da UnB, Danielle Coelho; e a assessora do gabinete da Vice-Reitoria Gisele Passos de Melo, egressa do IL.
Gladys Quevedo Camargo inicialmente esteve como vice-diretora do IL para o quadriênio 2022-2026 e, após a renúncia da então diretora Sandra Lúcia da Rocha, assumiu a diretoria do instituto. Flávia de Oliveira Maia Pires foi convidada ao cargo de vice-diretora até a conclusão daquela gestão.
PANORAMA 2022-2026 – Gladys Quevedo Camargo, que está em licença para estudos pós-doutorais, não esteve presente na cerimônia. Em entrevista à Secretaria de Comunicação (Secom), a docente destacou que a gestão 2022-2026 começou durante a pandemia de covid-19. “A UnB não estava na presencialidade. O primeiro semestre de 2022 foi muito desafiador, estávamos trazendo as pessoas de volta, e vendo casos de pessoas que ainda estavam adoecidas com problemas de saúde mental. O segundo semestre daquele ano foi o início da caminhada para colocar o IL na funcionalidade da vida normal, de antes da pandemia” lembrou.
Sobre pontos de destaque, Gladys listou a criação da secretaria de comunicação do IL, “um pequeno grupo de servidoras destacadas para trabalhar apenas com a divulgação das ações dentro do instituto”, que conta com quase 200 professores, 65 servidores técnico-administrativos e cerca de 2.700 alunos de graduação e pós.
Devido ao tamanho e à produtividade, em especial do corpo docente, o IL registra grande quantidade de publicações, incluindo lançamento de livros, além de organização e participação de eventos. “Queríamos dar visibilidade ao que a comunidade do IL faz, por isso criamos canais em mídias sociais, que seguem ativos, e reformulamos os sites, com o apoio da Secretaria de Tecnologia da Informação (STI)”, acrescenta a ex-diretora. Com a melhoria da visibilidade, vieram melhores avaliações na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que tem em seus critérios qualidade de construção e atualização de sites dos cursos.
“Buscamos dar apoio aos cursos de Língua Brasileira de Sinais (Libras). O curso Língua de Sinais Brasileira-Português como Segunda Língua (LSB-PSL), por exemplo, precisava de muitos recursos em equipamentos. Temos nove professores surdos e eles fazem gravações, filmagens. Por isso, procuramos investir no espaço de Libras, com sala de filmagem chroma key, suporte técnico e material para docentes e pesquisadores de Libras."
A docente também elencou o estímulo dado à participação de docentes e servidores técnicos nas câmaras superiores e nas outras instâncias, para aumentar a representação do instituto nos ambientes de gestão. E o apoio dado aos centros acadêmicos e a estudantes e técnicos para participação em eventos e realização de publicações acadêmicas. “Conheço o professor Cesário e sei que ele vai fazer um ótimo trabalho”, finaliza.
PERSPECTIVAS – O vice-diretor recém-empossado Cacio José Ferreira afirmou que a gestão que se inicia seguirá o que foi proposto em campanha pela direção do IL e pela Lei nº 8.112/1990, que rege o serviço público federal. “Vamos zelar pelo IL de forma humanizada, com interlocução e diálogo para construir, pois o sentido se dá no coletivo”, disse.
Ao destacar os pilares da campanha – escuta, ação e pertencimento –, o professor reforçou que a gestão se dará com escuta dos outros docentes, discentes, técnicos e terceirizados. Cacio José Ferreira mencionou as mudanças sociais resultantes do surgimento da internet e afirmou a relevância do letramento digital e de habilidades em Inteligência Artificial (IA), em um binômio: linguagem e tecnologia.
“No IL, temos 16 ênfases em Letras (licenciaturas e bacharelados), além do curso de tecnologia em Comunicação Assistiva: Tradução e Interpretação em Libras em Contexto Comunitário. Na pós-graduação, são cinco programas, com cinco mestrados e dois doutorados. O quinto curso de mestrado, o ProfLetras, terá início no primeiro semestre de 2026”, detalhou.
Em complemento à fala do vice-diretor, Cesário Pereira Filho descreveu a amplitude de ações do IL. “Há projetos de pesquisa e extensão em andamento, demonstrando a visão da língua como espaço de encontro entre culturas. Atualmente, há cinco cátedras ativas e a previsão de uma sexta, ampliando a interlocução internacional", enumerou.
"Temos convênios com as embaixadas da Espanha, da Itália e com a DAAD da Alemanha, das quais recebemos professores leitores. Na UnB, o Instituto Confúcio e o Instituto Rei Sejong promovem o ensino da língua chinesa e do coreano. A diversidade é complementada por docentes do quadro permanente que lecionam neerlandês e polonês”, complementou.
“Com humildades e compromisso, colocamo-nos à disposição dessa comunidade como guardiões temporários de um projeto que nos ultrapassa. Iniciamos a caminhada com espírito de diálogo e pertencimento", indicou o novo diretor.
MESA – O vice-reitor Márcio Muniz destacou que o IL nasceu junto com a UnB, em 1962. “Ao longo dessas seis décadas, o IL contribuiu de forma decisiva para a construção acadêmica, intelectual, cultural e crítica do país.” Ele aproveitou a fala para registrar reconhecimento à gestão que se encerra. “O IL continua firme e em boas mãos”, disse.
A reitora da UnB destacou a relevância do instituto para a formação do pensamento crítico dos estudantes da Universidade, além do protagonismo político do IL, dentro na UnB, na gestão superior, e fora, participando da construção de políticas públicas em educação. E na interação com organismos internacionais estabelecidos na capital federal.
Rozana Naves pontou os avanços construídos pelo instituto, como a criação de cursos noturnos e do curso de tecnologia em Comunicação Assistiva: Tradução e Interpretação em Libras em Contexto Comunitário. Também citou o UnB Idiomas, o maior programa de extensão da Universidade de Brasília.
