A entrada de uma nova turma na Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (FM/UnB) ganhou, neste ano, um significado especial. Em 2026, o curso completa 60 anos de história, formando profissionais que contribuem para a saúde do Distrito Federal e do país. No mesmo mês, o Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) celebrou 54 anos de prestação de serviços à população, zelando pelo tripé ensino, pesquisa e extensão. A Cerimônia do Jaleco da Turma 124, realizada em 5 de setembro, marcou o encontro entre essa história e a chegada de uma nova geração à Universidade. O momento também abriu espaço para diálogos sobre formação, permanência e participação estudantil.
Realizada no auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a solenidade reuniu estudantes, familiares, professores, gestores e representantes de instituições ligadas à saúde e à educação. O jaleco, símbolo de uma nova etapa da formação, veio acompanhado de palavras sobre ética, responsabilidade, respeito e compromisso com a vida humana e com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Gerente de Ensino e Pesquisa do HUB-UnB, Thiago de Castro falou aos novos estudantes sobre os desafios que os aguardam ao longo do curso e destacou a importância de uma postura ética e respeitosa, construída desde os primeiros anos. Empatia, diálogo, respeito mútuo e solidariedade, segundo ele, são fundamentais para a formação e para as relações estabelecidas dentro e fora do hospital. Thiago também conduziu o Juramento dos Deveres do Estudante de Medicina.
Representando a Reitoria, a decana de Assuntos Comunitários, Camila Areda, frisou a relevância de condições concretas para que os estudantes possam concluir sua formação com dignidade. Políticas de assistência, acessibilidade, acolhimento e diálogo com a comunidade acadêmica contribuem para reduzir obstáculos à trajetória acadêmica. Como destacou a decana, "garantir a permanência é tão essencial quanto ampliar o acesso, e a assistência estudantil deve ser compreendida como investimento na própria Universidade".
REIVINDICAÇÃO – No curso médico, essa discussão ganha contornos ainda mais concretos. A formação exige rotina intensa e longos períodos de permanência em atividades acadêmicas e hospitalares, com impactos sobre alimentação, deslocamento, descanso e organização da vida cotidiana. Foi nesse contexto que o Centro Acadêmico de Medicina Professor Gilberto de Freitas da Universidade de Brasília (CAMed-UnB), junto a centros e diretórios acadêmicos de Medicina de universidades federais com hospitais universitários vinculados à Rede HU Brasil, levou à cerimônia uma pauta construída coletivamente pelos estudantes.
Na ocasião, representando a Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem), o doutorando em Saúde Coletiva da UnB e coordenador de Educação e Políticas de Saúde, George Caetano, entregou a José Santos Souza Santana, diretor de Ensino, Pesquisa e Inovação da Rede HU Brasil, uma proposta para alterar as regras de acesso à alimentação dos estudantes de Medicina nos Hospitais Universitários Federais (HUFs). O ato foi acompanhado pelos coordenadores gerais do CAMed-UnB Pedro Paulo Melo, Júlia Marra e Gabriel Moreira.
A reivindicação foi construída em reuniões realizadas desde maio entre a Denem, as representações estudantis e a Diretoria de Ensino, Pesquisa e Inovação da Rede HU Brasil. O objetivo é revisar a regra que condiciona o acesso à alimentação durante o internato ao cumprimento de 12 horas ininterruptas de plantão. Para os estudantes, o critério não contempla os diferentes formatos de jornada praticados nos Hospitais Universitários Federais e pode deixar estudantes sem alimentação durante longos períodos de permanência nos serviços.
A proposta apresentada prevê duas refeições para plantões de 12 horas e uma refeição a cada seis horas nas jornadas superiores a esse período. Para estudantes que permanecem no hospital durante dois turnos administrativos, a sugestão é garantir uma refeição no horário do meio-dia. A Denem também solicitou um cronograma para implementação da medida e mecanismos de acompanhamento nas diferentes unidades da rede. Segundo o coordenador-geral da entidade, Romano Guimarães Amaral, a proposta busca "considerar as diferentes realidades dos Hospitais Universitários Federais e dar maior previsibilidade à garantia de alimentação durante a formação".
PERTENCIMENTO E VÍNCULO – A mobilização do CAMed UnB, em conjunto com CAs e DAs de Medicina de outras universidades federais, mostra como demandas que surgem no cotidiano dos hospitais podem ganhar dimensão nacional quando compartilhadas e discutidas coletivamente. Para a Medicina da UnB, que é a única escola médica federal do DF, esse diálogo amplia a possibilidade de articulação com diferentes instituições e de construção conjunta de encaminhamentos para a formação médica nos HUFs.
A discussão sobre permanência também se relaciona a uma dimensão fundamental da vida universitária: o pertencimento. Neste mês, quando a sociedade amplia o debate sobre saúde mental e prevenção do suicídio por meio da campanha Setembro Amarelo, esse tema ganha ainda mais importância. Espaços de convivência, cultura, amizade e diálogo ajudam a construir vínculos e fazem parte da experiência universitária tanto quanto as atividades acadêmicas e hospitalares.
Foi com essa dimensão coletiva que a Turma 124 encerrou a cerimônia. Após os juramentos e a entrega dos jalecos, a Atlética Insana entrou em cena e transformou o encerramento em um momento de celebração e integração, mostrando que a formação também se constrói nos encontros, na convivência e na capacidade de reunir diferentes estudantes em torno de objetivos comuns.
*com a colaboração do Centro Acadêmico de Medicina (CAMed) Professor Gilberto de Freitas.
