A Universidade de Brasília recebeu representantes de instituições de ensino superior e órgãos governamentais para uma reunião de trabalho voltada à criação do Instituto Nacional do Cerrado. Realizado no auditório do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/DPI/UnB), no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, o encontro reuniu dirigentes, pesquisadores e autoridades com atuação em áreas relacionadas ao meio ambiente e à ciência. O evento ocorreu em 2 de junho.
A proposta da reunião foi fortalecer a articulação entre instituições localizadas no bioma Cerrado e aprofundar ações cooperativas voltadas à consolidação de uma agenda científica, institucional e estratégica para o futuro instituto. O objetivo é construir uma iniciativa coletiva que una esforços em torno da conservação, do desenvolvimento sustentável e da valorização dos saberes e territórios do cerrado.
A reitora Rozana Naves destacou o compromisso da UnB com a articulação em torno da criação do Instituto Nacional do Cerrado. “Para a Universidade de Brasília, é uma honra contar com a participação de todas e todos neste encontro. Reiteramos nosso total engajamento com essa pauta, que nos mobiliza profundamente.” A reitora enfatizou a urgência do tema. “As falas de hoje reafirmam que estamos diante de uma questão estratégica para o país. O Cerrado não pode mais esperar. O desenvolvimento ambiental está diretamente ligado ao desenvolvimento tecnológico, educacional e social – e as universidades precisam liderar esse processo.”
A reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Angelita Lima, lembrou do percurso de mobilização em torno da criação do Instituto Nacional do Cerrado e defendeu o fortalecimento das articulações institucionais para dar visibilidade ao tema. “Nosso maior desafio agora é convencer os governantes de que o Cerrado precisa estar na pauta da COP 30 e que as universidades brasileiras precisam estar na COP 30. Esta reunião é mais um passo nessa caminhada. É juntando forças que vamos garantir a visibilidade do Cerrado e conquistar o respaldo necessário para criar o instituto”, disse.
A criação do Instituto Nacional do Cerrado busca responder aos desafios contemporâneos relacionados à proteção do segundo maior bioma do país, cuja biodiversidade e importância estratégica vêm sendo ameaçadas pelo avanço do desmatamento e de práticas insustentáveis. A proposta é que o instituto funcione como um polo de produção científica, formação de recursos humanos e apoio à formulação de políticas públicas voltadas ao bioma.
O professor Laerte Guimarães, da Universidade Federal de Goiás (UFG), pontuou a urgência na criação do Instituto Nacional do Cerrado diante dos retrocessos ambientais em curso. “Mais do que nunca precisamos tirar esse projeto do papel. O Cerrado é o bioma mais afetado pelo desmatamento e será um dos mais impactados caso avance a proposta de flexibilização do licenciamento ambiental, já aprovada no Senado. Criar o instituto é uma forma de garantir visibilidade, articulação e centralidade para a ciência feita no bioma, especialmente com a proximidade da COP 30, no Brasil”, afirmou.
APRESENTAÇÃO – A docente da UnB Mercedes Bustamante fez uma apresentação abrangente durante o evento, destacando a necessidade de se estruturar um instituto nacional voltado ao Cerrado. Ela avaliou que o momento atual é decisivo para reposicionar o bioma no centro da agenda nacional de ciência, tecnologia e inovação, diante dos desafios globais como segurança alimentar, mudanças climáticas e perda de biodiversidade. “Os ecossistemas estão mudando rapidamente”, salientou. A docente alertou para os impactos da pressão sobre o Cerrado, como o aumento das temperaturas e o atraso das chuvas, que afetam diretamente a agricultura e os regimes hidrológicos da região.
Mercedes Bustamante sublinhou que o Brasil precisa estar preparado para uma grande transição ecológica e tecnológica, articulando esforços nacionais em torno de metas globais, como o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ela argumentou que não basta mais criar redes e programas temporários: é necessário estruturar uma base científica sólida e duradoura, com capacidade institucional para gerar conhecimento, inovação e soluções práticas. “O Cerrado é um laboratório global das grandes transformações, e nós temos que estar à altura desse desafio. Não é apenas sobre conservar, é sobre transformar o modo como produzimos, usamos e restauramos nossos territórios”, complementou.
