Os banheiros localizados nos espaços AT-176 e AT-179 do Instituto Central de Ciências (ICC Sul), no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, passaram por uma adequação voltada à ampliação das condições de acessibilidade, privacidade e funcionalidade para usuários da Universidade de Brasília (UnB). A intervenção, concluída em julho e inaugurada nesta terça-feira (9), resultou na implantação de banheiros individuais, coletivos feminino e masculino, e sanitários acessíveis para pessoas com deficiência.
A iniciativa teve origem em solicitações formalizadas por usuários da Universidade e em avaliações sobre as condições das instalações existentes. Consulta à comunidade acadêmica reuniu mais de 300 respostas sobre o tema. Entre as demandas identificadas estavam a necessidade de ampliar as opções de uso dos espaços sanitários, melhorar as condições de acessibilidade e oferecer maior privacidade a diferentes públicos que circulam diariamente pelo ICC, um dos edifícios mais antigos e movimentados da UnB.
INCLUSÃO – Durante cerimônia, a secretária de Direitos Humanos da UnB, Claudia Regina Renault, destacou que a proposta começou a ser construída a partir da escuta da comunidade acadêmica. “Quando nós, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), ouvimos a nossa comunidade, entendemos que era importante planejar os espaços antes mesmo da chegada de novos públicos e adequá-los às necessidades que já existiam.”
A secretária da SDH também explicou que a adequação ocorre em um contexto de ampliação do acesso de pessoas trans à educação superior e de debates sobre permanência estudantil. O tema também foi abordado por Maktus Gonçalves da Silva, representante da população trans da Universidade na solenidade. “Nós não estamos satisfeitos apenas com o ingresso de mais pessoas trans na Universidade. Queremos, sobretudo, que essas pessoas tenham condições de permanecer.”
Representando o segmento discente, Giovana Lopes associou a adequação dos espaços à ampliação das condições de inclusão e acessibilidade na Universidade. Na avaliação da estudante, a iniciativa também dialoga com a diversidade que caracteriza a comunidade acadêmica da UnB.
ADAPTAÇÃO – Responsável pela área de planejamento da Secretaria de Infraestrutura (Infra), a diretora do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (Ceplan), Vanessa Chini, explicou que a intervenção exigiu estudos técnicos para adaptar uma estrutura concebida em outro contexto histórico às demandas atuais de uso.
Segundo Chini, o projeto envolveu levantamento de normas de acessibilidade, análise das características do edifício e adequações para garantir condições de uso compatíveis com diferentes perfis de usuários. “Foi um trabalho de escuta, pesquisa e rigor técnico. Houve um estudo aprofundado das normativas de acessibilidade e um esforço conjunto para transformar exigências normativas em um espaço concreto, funcional e adequado ao uso cotidiano.”
A diretora observou ainda que a obra integra um conjunto mais amplo de intervenções previstas para o ICC, incluindo melhorias de circulação e acessibilidade em outras áreas do edifício.
A necessidade de adaptar estruturas já existentes também foi mencionada pela reitora Rozana Naves. Para ela, as intervenções dialogam com transformações sociais e com demandas apresentadas pela própria comunidade universitária. “Não é um trabalho simples, porque estamos falando de edificações sexagenárias. Passa também por reconhecer o espaço simbólico que é um prédio como o Instituto Central de Ciências e atualizá-lo para as novas demandas e dinâmicas sociais que temos hoje.”
COTIDIANO – Para o vice-reitor Márcio Muniz, intervenções dessa natureza estão relacionadas a aspectos cotidianos da vida universitária. “Todas as pessoas têm o direito de usar os espaços da UnB com autonomia, segurança, privacidade e respeito.”
O vice-reitor informou ainda que adequações semelhantes estão em estudo para outras unidades da Universidade.
