Gestores de instituições de ensino superior e profissionais da educação estiveram reunidos esta semana, na Universidade de Brasília (UnB), durante o Encontro Regional Centro-Oeste do Fórum Nacional de Pró-reitores de Assuntos Estudantis e Comunitários (Fonaprace). Com o tema Permanência em movimento: experiências, desafios e novos caminhos para a assistência estudantil, o evento, que ocorre duas vezes ao ano, discutiu as políticas de apoio aos estudantes entre terça (6) e quinta-feira (8).
Conjuntura regional e acompanhamento da Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), construção de indicadores, saúde mental e atuação de equipes multiprofissionais, políticas de moradia e segurança alimentar foram alguns dos temas abordados. Os participantes ainda puderam visitar a Casa do Estudante Universitário (CEU), a Cuidoteca da UnB e a Fazenda Água Limpa (FAL).
“Aqui, é como se a gente estivesse se preparando para ir para o encontro nacional”, explicou a decana de Assuntos Comunitários, Camila Areda. O encontro nacional também acontece duas vezes ao ano. “A gente discute quais são as questões do Centro-Oeste, o que tem em comum nas universidades e o que temos implementado, para trocar experiências, e, depois, a gente leva para o nacional, principalmente as dificuldades, para discutir quais os novos modos de agir, onde vamos buscar financiamento, melhorias e parcerias para continuar”, disse.
“Os desafios são muitos”, pontuou. Para a decana, o primeiro é definir o que é assistência estudantil e até onde ela vai, mostrar a importância para que o estudante consiga permanecer e concluir os estudos, e garantir que ela seja efetivamente uma política. Apesar de atualizada em 2025, é preciso, segundo a gestora, “garantir a permanência e recursos dessa política”. “Ainda assim, a assistência permeia outros assuntos, como saúde mental, acessibilidade, garantia de outros direitos e integração dos estudantes”, destacou Areda.
EXPERIÊNCIAS COMPARTILHADAS – Na terça-feira (6), primeiro dia do evento, a pedagoga da Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS/DAC) da UnB Luana Cerqueira falou sobre a realidade dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica na Universidade, tema de sua pesquisa de doutorado. A programação de abertura foi concentrada no Anfiteatro 10 do Instituto Central de Ciências (ICC), no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. “Como a assistência é um dos braços mais fortes de apoio à permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade, é um encontro de extrema relevância”, ressaltou a técnica.
“Nesse encontro, a gente traz experiências das universidades, a gente troca, consegue refletir sobre nossas práticas, compartilhar, repensar ideias e falar de temas que são pertinentes em contexto nacional. Então, a gente percebe que a realidade da Universidade de Brasília não é uma realidade isolada, ela se espelha nas outras universidades também.”
Ela citou alguns desafios, como o orçamentário e a mudança de perfil de parte significativa do corpo discente. “Mais de 50% dos estudantes são cotistas." O aluno que trabalha demanda novas práticas pedagógicas, acredita Luana, para quem outro desafio passa por olhar para os problemas, até de sofrimento psíquico, de forma coletiva e não individualizada. “Por vezes, o estudante passa por questões que não são individuais, mas decorrentes da crise socioeconômica que a gente vive, de política, de questões outras alheias à universidade, que a universidade acaba tratando de forma individualizada. Hoje a gente percebe um individualismo muito grande até dos próprios estudantes. A gente precisa trabalhar a questão coletiva”, destacou.
Presente no encontro, o pró-reitor de Assistência Estudantil da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Fabiano Coelho, destacou que o evento trata de questões “mais amplas e estruturais” das políticas e promove a troca de experiência entre os profissionais que atuam nas diversas áreas da assistência.
“É uma oportunidade para debater questões políticas, estruturais e que estão no cotidiano das universidades. A troca de ideias e experiências é fundamental para fortalecer as ações e a defesa da assistência no âmbito nacional e regional a partir da realidade das universidades federais da região Centro-Oeste.”
“A assistência tem um desafio premente tanto do ponto de vista das ações e políticas quanto orçamentário”, destacou o gestor, indicando gargalos, como nos restaurantes universitários, defasagem dos valores das bolsas e situação de estudantes que atendem aos requisitos, mas não são contemplados pelas políticas por falta de recursos orçamentários.
