DEMOCRACIA TODOS OS DIAS

Comunidade define os rumos da UnB de forma colegiada. Movidos por valores democráticos, conselhos e câmaras têm protagonismo nas estruturas acadêmicas e administrativas

Votação no Conselho de Administração (CAD) reúne estudantes, professores e técnicos. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB 

 

Uma frase atribuída a Albert Einstein dá conta de que o ideal político dele “é a democracia", para que todo ser humano "seja respeitado como indivíduo e nenhum seja venerado”. Tomando-o por verdadeiro, o pensamento do físico alemão aponta o benefício da lógica democrática, a do “governo do povo”, e ecoa na forma de organização da Universidade de Brasília. O estatuto da instituição, ele próprio constituído coletivamente, prevê a observação de princípios democráticos e destaca conselhos formados pela comunidade como base da estrutura organizacional. Estes pilares também são celebrados pela campanha institucional de 2026, com o tema Democracia todos os dias: aprender, praticar, viver.

 

As decisões que ditam o rumo da UnB são debatidas e referendadas por três de seus conselhos mais atuantes: o Conselho Universitário (Consuni), o Conselho de Administração (CAD) e o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe). Os dois primeiros têm participação de estudantes, professores e técnicos. O Cepe não conta com técnicos, que atuam em câmaras relacionadas. A estrutura de divisão em câmaras, aliás, aprofunda debates e contribui para que mais vozes sejam ouvidas nos processos decisórios. Há nove delas previstas em regimento.

 

O Consuni é estatutariamente o órgão máximo da UnB. Com 96 membros titulares, formula políticas globais e, entre outras atribuições, aprova a programação anual de trabalho, aprecia decisões de outros colegiados e avalia o desempenho institucional. “É um espaço deliberativo, de construção política e de muito diálogo entre os segmentos docente, técnico e discente”, diz o representante do corpo estudantil no conselho George Caetano.

 

George Caetano fala sobre participação discente no Consuni:

 

Estudante de graduação de Medicina e doutorando em Saúde Coletiva, Caetano é também dirigente do Diretório Central de Estudantes (DCE – Honestino Guimarães). Na avaliação dele, os discentes precisam garantir representatividade na formulação e na execução de políticas institucionais. “No Consuni, a gente consegue levar as pautas dos estudantes, principalmente aquilo que rola no dia a dia, que diz respeito à realidade do que vivenciamos, de fato, dentro da UnB e fora dela também”, afirma.

 

Matérias administrativas, econômicas e orçamentárias estão no rol de atuação do CAD, composto por 73 membros que se reúnem a cada dois meses. Entre as decisões recentes do conselho, está a que reduziu os preços do Restaurante Universitário (RU). “Discutir temas relevantes para toda a categoria num colegiado significa que todos podem dar opinião. E a gente chega a um bom termo, consolidando assim a democracia nas nossas universidades”, diz a representante dos técnicos administrativos no colegiado, Maria do Socorro Marzola.

 

“Representar os técnicos administrativos no CAD é uma grande responsabilidade, mas é também uma grande satisfação. Você está imbuído de um mandato que a categoria confia”, avalia ela, que é técnica em assuntos educacionais há 34 anos e também foi indicada por seus pares para integrar o Consuni.

 

Assuntos acadêmicos, científicos, culturais e artísticos são temas de deliberação pelo Cepe. O colegiado conta com 74 representantes e tem encontros mensais. É nesse conselho que se definem pautas como o calendário acadêmico e as disposições sobre políticas afirmativas. “Uma das belezas dele [o Cepe] é justamente congregar opiniões diferentes de várias unidades, então, com isso, a Universidade se torna mais plural, mais democrática e nós aprendemos”, avalia João Costa Ribeiro Neto, representante docente da Faculdade de Direito no conselho.

Universidade conta com cinco conselhos. Dois deles têm membros da comunidade externa. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

“É um orgulho participar de um órgão em que nós aprendemos todos os dias as diferencialidades e como a nossa Universidade é ampla, é diversa. E, ao mesmo tempo, aprendemos também a chegar a soluções muito importantes que sejam aptas a resolver os problemas dessa diversidade”, completa.

 

A participação como membro dos conselhos se dá pela ocupação de cargos administrativos e acadêmicos, como no caso de gestores da administração superior e diretores de institutos, ou por meio de eleições nos segmentos. A Universidade conta ainda com outros dois órgãos colegiados: o Conselho Diretor (CD), que auxilia na gestão do patrimônio, e o Conselho Comunitário (CC), instância consultiva para avaliação de planos e projetos. Ambos têm representantes da comunidade externa. A reitora preside quatro dos cinco conselhos; a exceção é o Cepe, presidido pelo vice-reitor. 

 

RESPONSABILIDADE E APOIO – A repercussão das decisões colegiadas determina os caminhos da instituição e ganha mais peso após decisões como a do Congresso Nacional, que aprovou o fim da lista tríplice para a escolha de reitores. Este mês, o Senado Federal deliberou que apenas o nome do candidato mais votado na consulta acadêmica, referendada pelo Consuni, siga para a nomeação do presidente da República.

Aline Tolentino (em primeiro plano) assessora presidência nos conselhos, uma das atribuições da Secretaria de Órgãos Colegiados. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB 

 

Os centros de tomada de decisão na UnB recebem a assessoria da Secretaria de Órgãos Colegiados (SOC). A organização, o controle e o acompanhamento dos processos nos conselhos estão entre as atribuições da unidade, que também dá suporte aos membros. “A atuação da secretaria favorece a transparência, a eficiência e a segurança administrativa dos processos decisórios, colaborando para o fortalecimento da governança institucional e para a legitimidade das decisões”, avalia a secretária-executiva da SOC, Aline Tolentino.

 

“É um trabalho que ocorre, em grande parte, nos bastidores das reuniões, mas que é fundamental para garantir que as discussões e decisões dos colegiados ocorram de forma organizada, transparente e com a devida instrução processual”, diz Tolentino. O trabalho, explica ela, requer atenção permanente aos detalhes e demanda capacidade de articulação com as áreas representadas.

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