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Iniciativas foram selecionadas entre 74 propostas e envolvem criação de tecnologias por agricultores e apoio a empreendimentos solidários de mulheres

Projeto do Núcleo de Agroecologia (NEA) da UnB, para fortalecer ações de inovação entre agricultores familiares, foi um dos selecionados. Fotografia tirada antes da pandemia de covid-19. Foto: Divulgação

 

Os projetos Cocriação de tecnologias para agricultura familiar e Modelos de negócio de empreendimentos econômicos solidários geridos por mulheres, ambos vinculados à Universidade de Brasília, estão entre as dez soluções de 2021 consideradas mais inovadoras no Brasil pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GT Agenda 2030) e o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS). As iniciativas foram escolhidas, em chamada pública do GT e da entidade, entre outras 74 em todo país que contribuem para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Conduzido pelo Núcleo de Agroecologia (NEA), um dos projetos da Universidade tem como objetivo o fortalecimento de ações de inovação que visam a autonomia e soberania de agricultores familiares, favorecendo práticas de agricultura sustentável com aumento na produtividade e inserção mercadológica. O outro, vinculado ao Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), é organizado por mulheres em situação de vulnerabilidade social do Distrito Federal e Entorno e promove a geração de renda e trabalho.

 

A seleção foi feita com apoio da plataforma Prosas e financiamento da União Europeia. Para a escolha das soluções, foram considerados critérios como a implementação e a evidência de inovação técnica, de gestão e/ou de relacionamento com as partes interessadas e o impacto socioambiental positivo para a efetividade dos ODS.

 

A decana de Pesquisa e Inovação da UnB, Maria Emília Walter, destaca a importância do reconhecimento dos dois projetos da Universidade e suas contribuições para o país. "Isso mostra o quanto a UnB está ligada a questões relevantes para a sociedade e vem construindo soluções para problemas crônicos da sociedade brasileira, como erradicação da pobreza, saúde e bem-estar, igualdade de gênero, trabalho decente e crescimento econômico, fome zero e agricultura sustentável, além de parcerias e meios de implementação", afirma.

 

Todos os projetos escolhidos deverão participar, em junho, do III Seminário de Soluções Inovadoras para o Desenvolvimento Sustentável, promovido pelo GT Agenda 2030 e o IDS, e de uma publicação que será divulgada para potenciais apoiadores e investidores. "Eles receberão mentoria para a elaboração de modelos de negócios, que inclui aspectos como planejamento estratégico, mapeamento de atores e indicadores de impacto", informa a decana.

Integrantes do projeto realizaram reunião virtual durante a pandemia. Imagem: Reprodução

 

MULHERES NO MERCADO – Com atuação no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da UnB, a professora Sônia Carvalho, coordenadora do projeto Modelos de negócio de empreendimentos econômicos solidários geridos por mulheres, ressalta que a iniciativa visa melhorar os modelos de negócio de 15 empreendimentos econômicos solidários organizados por mulheres no Distrito Federal e Entorno.

 

A ideia é que tenham como referência os princípios da economia solidária, como autogestão, solidariedade democrática, cooperação e viabilidade econômica, e sejam pautados nos ODS. 

 

"Ao diagnosticar os empreendimentos no seu valor, ou seja, nos benefícios que entrega à sociedade, e obtendo dados sobre seus desafios e potencialidades, foi possível evidenciar estratégias de melhorias na gestão e adaptar o êxito do negócio a um ambiente de crise e escassez", sinaliza os resultados já obtidos. 

 

O projeto impacta na inclusão digital e no letramento tecnológico de mulheres, além de na melhoria do modelo de negócio dos empreendimentos mediante a pandemia. A expectativa é também que se reforce o valor dessas organizações em relação a quatro fatores: o modo como praticavam os princípios da economia solidária; o desenvolvimento do empreendedorismo por necessidade e oportunidade; a importância da mulher na gestão; e os impactos social, econômico, ambiental e cultural na comunidade.

 

Segundo a coordenadora, a seleção do projeto na chamada aponta para a relevância do aprendizado de inovar na escassez, tendo em vista que este proporciona reflexões teóricas e práticas sobre a dinâmica de gestão dos empreendimentos e as possibilidades de melhoria do modelo de negócio, para a geração de renda e trabalho digno e para a promoção da inclusão social e econômica das mulheres.

 

Sônia Carvalho também ressalta a contribuição para mitigar quatro das metas previstas nos ODS. "Em especial, acabar com a pobreza, em suas diferentes formas; assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas, em todas as idades; assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade; alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas; promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos; e apoiar o desenvolvimento de tecnologia, pesquisa e inovação", assegura.

 

INCENTIVO AOS PRODUTORES – Já o projeto Cocriação de tecnologias para a agricultura familiar promove uma série de ações para garantir maior autonomia e segurança alimentar aos agricultores familiares e a promoção da transição agroecológica e da produção orgânica.

 

"Nesse conjunto, trabalhamos com a cocriação de tecnologias sociais e a produção de aplicativos para o gerenciamento da produção e a interface entre consumidor e produtor. Isto ocorre com o despertar da capacidade criativa dos agricultores, aumentando o seu protagonismo no desenvolvimento tecnológico", explica a professora Cristiane Barreto, uma das coordenadoras do NEA e do Projeto Nexus, que apoia a iniciativa.

Projeto busca auxiliar agricultores familiares com o desenvolvimento de soluções tecnológicas às demandas de trabalho. Fotografia tirada antes da pandemia de covid-19. Foto: Divulgação

 

"Esse processo é facilitado por oficinas participativas que combinam princípios das tecnologias apropriadas e da construção da capacidade criativa (CCB) – Creative Capacity Building, no original em inglês –, uma metodologia do laboratório D-Lab, do Massachusetts Institute of Technology, [nos Estados Unidos], executada pela International Development Innovation Network e Instituto Invento", detalha.

 

A partir das demandas de cada comunidade de agricultores com a qual o projeto trabalha, foram concebidas tecnologias, como bomba d’água eólica, quebrador de baru, semeadeira e multiprocessador de mandioca. Também foram desenvolvidos dois aplicativos: o Mangút, idealizado com apoio de estudantes da UnB para facilitar a interação entre produtores agroecológicos e consumidores, e um de gestão das CSAs (comunidades que sustentam a agricultura).

 

>> Relembre: Site pretende ajudar agricultores orgânicos que vendas afetadas pela pandemia 

 

"Os protótipos e aplicativos desenvolvidos são soluções às demandas locais, identificadas pelas próprias comunidades, para otimizar o tempo e esforço no plantio, na colheita, no processamento e na comercialização dos produtos, entre outras atividades diárias. As tecnologias produzidas são, também, novas oportunidades de negócios para os agricultores, já que podem ser replicadas, adaptadas e comercializadas por eles", aponta Cristiane Barreto.

 

Segundo a professora, as soluções visam fortalecer a segurança alimentar nas áreas rurais em que ainda há muita produção direcionada ao consumo familiar, mas também permitir a melhor nutrição da população em geral, que terá acesso a produtos mais saudáveis para consumo diário.

 

"Como beneficiários diretos, tivemos cerca de 70 agricultores familiares nas oficinas de cocriação de tecnologias e 20 cadastrados na plataforma de vendas no aplicativo Mangút. Também teremos produtores e coprodutores das CSAs. Indiretamente, é facilitado o acesso a alimentos orgânicos e agroecológicos para consumidores em geral. Todo o processo dá a oportunidade a estudantes e pesquisadores de desenvolverem ações de pesquisa e extensão", acrescenta a docente.

 

Cristiane comemora a seleção do projeto e afirma que se trata de um reconhecimento do potencial transformador das ações promovidas, além da importância de dar mais suporte às famílias no campo e mais opções de acesso a alimentos nutritivos e saudáveis. "Esse reconhecimento dá projeção à iniciativa. Esperamos que possa garantir a continuidade das nossas ações em execução", almeja.

 

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